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Crédito rotativo cresce entre os mais ricos

Publicado em: 13/10/2026 11:59
Crédito rotativo cresce entre os mais ricos
Dados do Banco Central indicam que o saldo devedor de crédito rotativo e cheque especial entre brasileiros que ganham acima de dez salários mínimos subiu 93% em termos reais entre julho de 2023 e julho de 2026. A participação dessa faixa de renda no total emprestado saltou de 13,1% para 23,3%, alcançando R$ 30,3 bilhões. O crescimento foi mais intenso entre quem recebe acima de 20 salários mínimos, cuja participação quase dobrou no período. O movimento ocorre de forma inversa à observada entre os trabalhadores de menor renda. Para quem ganha até 5 salários mínimos, o saldo de rotativo e cheque especial caiu 10,6% nos últimos três anos, e a participação no total recuou de 69,4% para 57,4%. As linhas analisadas são as mais caras do mercado, com juros mensais de 15,18% no rotativo e 7,43% no cheque especial, segundo dados de agosto do Banco Central. Especialistas consultados apontam duas frentes para o fenômeno: deterioração das finanças de famílias de classes média e alta, e redirecionamento estratégico da oferta de crédito pelos bancos, que passaram a direcionar limites e cartões para faixas de maior renda diante da inadimplência elevada entre os mais pobres. Dados da CNC indicam que 71,9% das famílias com renda acima de 10 salários estão endividadas. A inadimplência em rotativo e cheque especial também avançou entre as faixas de renda mais altas. Segundo dados da Febraban, a taxa de calote na faixa de 10 a 20 salários subiu 14 pontos percentuais desde 2023, chegando a 40,4% em julho deste ano. Na faixa de 1 a 2 salários, a alta foi de cerca de 5 pontos, para quase 56%. Especialistas destacam que os juros elevados e a oferta de crédito predatório atingem o mercado como um todo, independentemente da faixa de renda. Desde 2024, uma norma limita a dívida de quem atrasa a fatura do cartão a no máximo o dobro do montante original, com teto de 100% de juros acumulados. Apesar disso, o uso dessas linhas emergenciais segue em alta entre as faixas de renda mais elevadas, o que levanta questões sobre comprometimento de renda, sustentabilidade do endividamento e o papel da oferta de crédito no cenário de risco setorial.
FONTE ORIGINAL:
https://www.n3news.com.br/2026/10/credito-rotativo-cresce-entre-os-mais-ricos
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