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Uso de rotativo e cheque especial dispara entre os mais ricos e encolhe entre os mais pobres

Publicado em: 13/10/2026 08:15
Uso de rotativo e cheque especial dispara entre os mais ricos e encolhe entre os mais pobres
Dados do Banco Central mostram que o saldo devedor no cartão de crédito rotativo e no cheque especial avançou entre os tomadores de maior renda nos últimos três anos, enquanto essas modalidades recuaram entre quem ganha menos. O saldo devido pela faixa acima de dez salários mínimos registrou alta real de 93% entre julho de 2023 e o mesmo mês deste ano, o que elevou o peso desse grupo de 13,1% para 23,3% do total e levou o saldo a R$ 30,3 bilhões. Informações do SCR do Banco Central indicam que quanto maior a faixa de renda do tomador, maior foi o crescimento do uso desse crédito: na faixa acima de 20 salários, a participação no estoque praticamente dobrou, subindo de 5,3% para 10,5%, e entre quem ganha de 5 a 10 salários o peso passou de 13,8% para 17,2%. Em sentido oposto, nos últimos três anos o saldo de rotativo e cheque especial de quem ganha até 5 salários caiu 10,6%, depois de crescimento superior a 70% acima da inflação entre 2021 e 2023, com perda de participação de 69,4% para 57,4%. Entre as modalidades emergenciais mais caras do mercado, o rotativo tem juros mensais de 15,18% e o cheque especial, de 7,43%, segundo dados de agosto do Banco Central. Desde 2024, norma vigente limita a dívida de quem atrasa o pagamento da fatura do cartão a no máximo o dobro do montante original, o que corresponde a um teto de 100% de juros acumulados sobre a dívida contraída. Especialistas em crédito relatados na matéria associam a mudança ao redirecionamento da oferta bancária em direção a salários mais altos, como forma de amortecer a inadimplência da baixa renda, que avançou após a pandemia; entre os exemplos citados estão o aumento de limites de crédito nas modalidades mais arriscadas e a maior quantidade de cartões oferecidos. Dados da Febraban mostram que o calote no rotativo e no cheque especial passou a avançar em ritmo mais intenso entre os mais ricos de 2023 para cá: na faixa de 10 a 20 salários subiu 14 pontos percentuais, para 40,4% em julho deste ano, enquanto na faixa de 1 a 2 salários a alta foi de cerca de 5 pontos, para quase 56%. O endividamento crescente também é atribuído a fatores de comportamento e de renda. Economistas citados apontam o consumo aspiracional influenciado pelas redes sociais e a distância entre o meio e o topo da pirâmide de renda potencial, além de possível efeito da crise no agronegócio, já que muitos produtores tomam crédito como pessoa física e recorrem a modalidades caras em dificuldade. Dados de setembro da CNC indicam que 71,9% das famílias com renda acima de 10 salários estão endividadas.
FONTE ORIGINAL:
https://www.bemparana.com.br/noticias/uso-de-rotativo-e-cheque-especial-dispara-entre-os-mais-ricos-e-encolhe-entre-os-mais-pobres
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