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Banco aperta o cerco: o que o produtor rural precisa provar para pegar empréstimo na safra 2026/27

Publicado em: 14/10/2026 10:00
Banco aperta o cerco: o que o produtor rural precisa provar para pegar empréstimo na safra 2026/27
O crédito rural para a safra 2026/27 enfrenta endurecimento nas exigências das instituições financeiras, impulsionado por juros elevados e inadimplência recorde. A inadimplência do crédito rural para pessoas físicas atingiu 8,8% em julho, o maior nível desde o início da série histórica do Banco Central em 2011. Nas operações que utilizam juros de mercado, o atraso nas parcelas alcançou 15,5%. O Plano Safra 2026/27 destina R$ 525,1 bilhões ao agronegócio, porém com filtros mais rígidos de análise. Os bancos passaram a priorizar a geração de caixa recorrente do negócio agrícola em detrimento da avaliação de ativos fixos. A terra, que por muito tempo bastava como garantia, já não é suficiente. A análise institucional concentra-se em três indicadores contábeis: endividamento em relação à receita anual, liquidez de curto prazo e margem por saca produzida. A confusão entre despesas pessoais e da atividade rural compromete a construção de fluxo de caixa confiável, tornando obrigatória a separação de contas e o registro contínuo no Livro Caixa Digital do Produtor Rural. A documentação e as práticas sustentáveis influenciam diretamente as condições de crédito. A regularização do Cadastro Ambiental Rural (CAR) garante até 0,5 ponto percentual de desconto nos juros de custeio, e a adoção de práticas sustentáveis rende outro desconto equivalente. Para renegociar operações de custeio, é necessário comprovar contratação de seguro rural ou Proagro, além de apresentar demonstração de resultado da safra anterior, fluxo de caixa projetado e histórico de produtividade. Os dados indicam pressão crescente no setor: requerimentos de recuperação judicial no agro subiram 21,9% no primeiro trimestre de 2025, com Mato Grosso liderando os pedidos de falência, seguido por Goiás e Paraná. Esses números reforçam a cautela dos bancos na concessão de novas operações. A Medida Provisória 1.376/2026 criou novas linhas de crédito específicas para quitar ou amortizar dívidas rurais, com potencial de liberar mais de R$ 100 bilhões no sistema financeiro segundo o Ministério da Fazenda. A adesão é restrita a produtores que comprovem perdas significativas por meio de laudo técnico atestando queda de pelo menos 30% da renda bruta esperada em duas ou mais safras entre 2019 e 2025. Os limites de acesso variam por categoria: R$ 400 mil no Pronaf, R$ 2 milhões no Pronamp e R$ 4 milhões para os demais produtores. O prazo para contratação das novas linhas termina em 12 de novembro, e a análise final depende da avaliação de risco de cada banco.
FONTE ORIGINAL:
https://www.bra1.com.br/agronegocio/id-707141/banco_aperta_o_cerco__o_que_o_produtor_rural_precisa_provar_para_pegar_emprestimo_na_safra_2026_27
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