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Bancos e fintechs usam Open Finance e IA para prever calotes de empresas

Publicado em: 19/10/2026 11:12
Bancos e fintechs usam Open Finance e IA para prever calotes de empresas
Bancos e fintechs passam a combinar dados do Open Finance com informações de birôs de crédito para identificar sinais de deterioração financeira e antecipar riscos de inadimplência em operações de crédito de empresas. A expectativa do mercado é de que a Inteligência Artificial amplie a capacidade de análise desses dados na previsão de calotes. O cenário que sustenta essa busca por sinais mais precoces é de endividamento recorde. Em julho de 2026, o Brasil atingiu 9,2 milhões de CNPJs inadimplentes, com 67,2 milhões de dívidas negativadas somando R$ 238,6 bilhões, segundo dados da Serasa Experian. Desse total, 8,6 milhões de empresas eram de menor porte, com R$ 232,9 bilhões em dívidas. Mesmo com o início do ciclo de cortes da Selic, o custo do crédito permanece elevado e a desaceleração da atividade econômica pressiona faturamento e geração de caixa. Como a inadimplência funciona como um indicador-estoque que acumula dificuldades, a reversão tende a ser gradual. Ainda assim, a demanda por crédito empresarial avançou 11,2% nos 12 meses encerrados em agosto de 2026, com micro e pequenas empresas registrando a maior alta (11,4%). A concentração de dívidas mostra que o problema vai além dos empréstimos bancários: o setor não financeiro responde por 75,7% do volume negativado, afetando fornecedores, prestadores de serviços, concessionárias e telefonia. Micro e pequenas empresas tinham, em média, 6,9 contas negativadas e dívida média de R$ 23.574,33 por negócio. Esse quadro leva instituições a monitorar fluxo de caixa e comportamento de pagamento, não apenas dívidas já vencidas. A Núclea utiliza dados de boletos, TEDs e liquidação de cartões para mapear entradas e saídas de recursos; segundo a empresa, seu score de comportamento de pagamento apontou deterioração 11 meses antes de uma empresa entrar em recuperação judicial, combinando liquidez de pagamento a fornecedores e volumetria financeira. A Klavi acompanha receitas, despesas pontuais e recorrentes, fluxo de caixa e volume de crédito contratado como possíveis alertas para credores. No Open Finance, com consentimento do cliente, as instituições acessam dados de contas correntes, cartões, operações de crédito, investimentos e câmbio, incluindo histórico dos últimos 12 meses. A complementaridade entre o dado estático do birô e a visão dinâmica da movimentação financeira é apontada como fonte de ganho na análise de potencial de pagamento. Segundo a Klavi, os principais usuários dos dados são fintechs como Nubank, Mercado Pago e PicPay, enquanto bancos tradicionais participam com maior foco na reciprocidade. No Mercado Pago, 100% dos créditos concedidos utilizam informações consentidas do Open Finance, somadas a mais de 2,5 mil outros dados para personalização de ofertas. A ampliação da participação de pessoas jurídicas no sistema, porém, ainda enfrenta obstáculos — como a validação adicional quando há mais de um representante legal —, e alternativas de simplificação estão em estudo. Para os executivos ouvidos, a próxima etapa envolve integrar Open Finance, IA e meios de pagamento: a tecnologia avaliaria a situação financeira, geraria recomendações e viabilizaria operações por meio da iniciação de pagamentos, com o Pix funcionando como infraestrutura de liquidação em tempo real. O relatório "State of Open Finance", da Mastercard, aponta que 75% dos executivos entrevistados em mais de 13 países já usam dados consentidos do Open Finance para criar produtos ou aprimorar serviços existentes. A adesão de PJs e a conversão de dados em aplicações concretas seguem como desafios do mercado.
FONTE ORIGINAL:
https://finsidersbrasil.com.br/reportagem-exclusiva-fintechs/mercado-aposta-em-open-finance-para-antecipar-calote-das-empresas
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