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Pedidos de recuperação judicial no agro caem 20,7% no segundo trimestre
Publicado em: 19/10/2026 02:00
O agronegócio brasileiro registrou 448 pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre de 2026, queda de 20,7% frente às 565 solicitações do mesmo período do ano anterior, segundo levantamento da Serasa Experian. Na comparação trimestral, frente aos 474 pedidos do primeiro trimestre de 2026, a retração foi de 5,5%. O resultado interrompe uma sequência de altas observada nos segundos trimestres de 2023, 2024 e 2025, conforme a série histórica iniciada em 2021. A Serasa Experian avalia que o cenário financeiro do setor permanece desafiador, diante de custos elevados, maior seletividade na concessão de crédito e endividamento. Para Marcelo Pimenta, head de agronegócio da empresa, a retração pode estar relacionada à sazonalidade das atividades agropecuárias, à entrada de receitas para parte dos produtores e ao avanço das renegociações com credores. O executivo observa que a queda não significa necessariamente reversão dos problemas financeiros do setor e que a sustentabilidade do movimento dependerá dos resultados dos próximos trimestres. Na distribuição por unidades da Federação, Mato Grosso liderou com 107 pedidos (23,9% do total), seguido por Goiás, com 84 (18,8%), São Paulo, com 72 (16,1%), Minas Gerais, com 54 (12,1%) e Paraná, com 42 (9,4%). O ranking contempla três perfis: produtores rurais pessoas físicas, produtores rurais pessoas jurídicas e empresas relacionadas à cadeia do agronegócio. Entre produtores rurais pessoas físicas, foram registrados 197 pedidos no trimestre, queda de 10,5% frente às 220 solicitações de 2025, mantendo-se como o perfil com maior volume de pedidos. Produtores rurais pessoas jurídicas recuaram 34,2%, de 243 para 160 solicitações, com o cultivo de soja liderando (70 pedidos) e a criação de bovinos em segundo (28). Empresas da cadeia do agro somaram 91 pedidos, redução de 10,8% frente aos 12,1% registros do ano anterior, com serviços de apoio à agropecuária na liderança (26 solicitações). A Serasa Experian destaca o uso de inteligência artificial em modelos preditivos para identificar sinais de deterioração financeira no agronegócio, entre eles o Agro Score, desenvolvido para avaliar características específicas da atividade rural e apoiar decisões de concessão de crédito. Pimenta ressalta que dados e modelos preditivos podem contribuir para uma concessão de crédito mais segura, considerando as particularidades do setor, e reforça a importância da preservação do fluxo de caixa, do planejamento financeiro e da renegociação de dívidas, com a recuperação judicial como alternativa de último recurso.
FONTE ORIGINAL:
https://www.cnnbrasil.com.br/agro/pedidos-de-recuperacao-judicial-no-agro-caem-207-no-segundo-trimestre
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