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Nem todo bancão vai sair ileso: o que esperar dos balanços de Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil no 3T26

Publicado em: 20/10/2026 06:12
Nem todo bancão vai sair ileso: o que esperar dos balanços de Itaú, Bradesco, Santander e Banco do Brasil no 3T26
A temporada de balanços do 3T26 para os grandes bancos começa com cenário desigual, segundo a expectativa de analistas: com o crédito pesando sobre os resultados, o trimestre deve seguir marcado por custo de risco elevado e pressão sobre as margens. A diferença entre instituições estaria na capacidade de atravessar esse cenário sem que a inadimplência corroa a rentabilidade, e os balanços desta safra devem ajudar a dimensionar essas diferenças. O calendário se inicia com o Bradesco, que divulga resultados na quinta-feira (22), após o fechamento. Em seguida, o Santander Brasil apresenta números em 28 de outubro, antes da abertura; o Itaú Unibanco, em 4 de novembro, após o fechamento; e o Banco do Brasil, em 11 de novembro, também após o fechamento. | Banco | Lucro líquido ajustado projetado | Rentabilidade (ROE) | |---|---|---| | Bradesco (BBDC4) | R$ 7,145 bilhões | 15,9% | | Santander Brasil (SANB11) | R$ 3,161 bilhões | 12,7% | | Itaú Unibanco (ITUB4) | R$ 12,714 bilhões | 23,8% | | Banco do Brasil (BBAS3) | R$ 4 bilhões | 7,7% | Para o Citi, os bancos privados devem continuar moderando a concessão de crédito para preservar a qualidade dos ativos, o que limita o crescimento das receitas, embora parte da pressão seja compensada pelo controle de despesas. O custo do crédito e o ritmo de expansão das carteiras devem concentrar as atenções, com dificuldades em pequenas e médias empresas, clientes de menor renda e agronegócio, cenário que, segundo o banco, deixa pouco espaço para melhora expressiva nas provisões. O Itaú BBA também espera cautela diante das incertezas sobre a atividade econômica e a capacidade de pagamento de pessoas físicas e PMEs, enquanto o Goldman Sachs alerta que a deterioração dos ativos pode levantar dúvidas sobre a capacidade de algumas instituições de gerar capital com os próprios resultados. Ainda assim, os analistas avaliam que os grandes bancos devem permanecer acima dos limites mínimos regulatórios de capital. No Bradesco, a projeção é de avanço na recuperação da rentabilidade sem eliminação das pressões do crédito: para o Itaú BBA, o trimestre tende a ser modesto, com a deterioração de algumas linhas compensada pela mudança gradual da carteira em direção a segmentos mais garantidos e de menor risco; o Citi espera que tarifas e operações de mercado ajudem a amortecer a piora na qualidade dos ativos, e a XP projeta um trimestre sólido. Entre as carteiras apontadas com risco de aumento da inadimplência estão crédito emergencial, cartões para clientes de menor renda, agronegócio e financiamentos ligados à John Deere. O banco deve registrar ainda aumento de capital de quase R$ 10 bilhões, que tende a pressionar temporariamente o ROE, efeito que o diretor financeiro Cassiano Scarpelli havia antecipado em entrevista ao Seu Dinheiro em setembro. O Santander Brasil chega à temporada sob pressão para recuperar rentabilidade, enquanto o mercado acompanha a oferta pública de aquisição de ações anunciada pela matriz espanhola. O Citi prevê trimestre fraco, com margens financeiras menos favoráveis e custo de crédito elevado apesar do crescimento da carteira; o Itaú BBA projeta nova contração do lucro, à medida que a estratégia de reduzir o risco dos empréstimos segue pressionando margens, sem que os benefícios apareçam de forma clara em inadimplência e provisões. A XP espera que crédito imobiliário e clientes de renda mais alta sustentem o crescimento, com carteiras de menor renda em retração, enquanto empréstimos a agronegócio, público de menor renda e segmento de atacado devem continuar pressionando qualidade dos ativos e provisões. O Itaú Unibanco é apontado como a instituição com balanço mais previsível: o Citi espera crescimento saudável da carteira, margem financeira resiliente, qualidade de ativos estável e disciplina de custos, com provisões crescendo em geral acompanhando a carteira, sem deterioração relevante em varejo e atacado. PMEs ainda podem passar por normalização, mas o Goldman Sachs considera o banco entre os de maior proteção contra uma piora do ciclo de crédito. Já o Banco do Brasil continua com o desafio central na qualidade da carteira de crédito rural, pressionada pela dificuldade de produtores em regularizar pagamentos e por provisões elevadas; os analistas avaliam que a recuperação dos empréstimos em atraso ainda é limitada e que efeitos de medidas de apoio ao agronegócio, como a MP 1.376, devem aparecer de forma mais significativa apenas no 4T26, com o banco priorizando a renegociação de dívidas. O Citi projeta queda de aproximadamente 40% no lucro líquido na comparação trimestral e ROE próximo de 5%, além de revisões negativas de cerca de 20% nas estimativas para 2026 e 2027. Do ponto de vista de capital, o CET1 do banco estava em 11,3% no segundo trimestre, o nível mais vulnerável entre os grandes bancos analisados, e sem cerca de 181 pontos-base preservados por medidas extraordinárias cairia para 9,4%, reduzindo a distância em relação ao mínimo regulatório de 8%.
FONTE ORIGINAL:
https://www.seudinheiro.com/2026/empresas/nem-todo-bancao-vai-sair-ileso-o-que-esperar-dos-balancos-de-itau-bradesco-santander-e-banco-do-brasil-no-3t26-miql
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