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Com estimativa de R$ 90 bi, Desenrola 3 pode superar soma dos dois primeiros programas

Publicado em: 21/10/2026 23:00
Com estimativa de R$ 90 bi, Desenrola 3 pode superar soma dos dois primeiros programas
O governo federal se prepara para lançar o terceiro programa de renegociação de dívidas em três anos. Com estimativa de alcançar até R$ 90 bilhões em dívidas em um primeiro momento, o novo programa pode superar a soma dos montantes do Desenrola original e do Desenrola 2.0. A convocação para instituições financeiras interessadas em participar deve ser lançada nesta quinta-feira (22). O Desenrola 1 concentrou-se em cartão de crédito em atraso e faturas de serviços, renegociando R$ 53,2 bilhões de 14,8 milhões de pessoas entre julho de 2023 e maio de 2024, com descontos de 85% a 90%. O Desenrola 2.0, de 4 de maio a 31 de agosto, renegociou dívidas com valor original de R$ 28,37 bilhões, com desconto de cerca de 80%, resultando em débitos repactuados e garantidos pelo FGO de R$ 5,71 bilhões. O Desenrola 3.0 previa inicialmente a destinação de até R$ 15 bilhões para a compra de débitos de pessoas físicas e MEIs em atraso de dois a quatro anos e meio, abrangendo cartão de crédito, crédito pessoal e dívidas de serviços públicos e lojas. A área econômica do governo anunciou que pode comprar até R$ 90 bilhões em dívidas até o fim do ano, com desconto mínimo legal de 90%. A compra será feita pela Caixa Econômica Federal junto a instituições financeiras interessadas em vender carteiras inadimplentes. Em agosto, mês de encerramento do segundo Desenrola, a inadimplência renovou recorde da série histórica iniciada em 2011: 6,61% dos empréstimos com recursos livres estavam em atraso há mais de 90 dias, segundo dados do Banco Central. O UBS BB calcula que o número de pessoas negativadas nos birôs de crédito aumentou em 2,7 milhões do fim de 2025 até agosto, totalizando 84 milhões de brasileiros, cerca de 51% da população adulta. A Deloitte aponta que o mercado de venda de carteiras de crédito com atraso de mais de 90 dias no varejo gira em torno de R$ 50 a R$ 55 bilhões por ano desde 2022 e estima que há outros R$ 600 bilhões fora do balanço dos bancos. Segundo analistas do UBS BB, a medida é positiva para os balanços dos bancos, mas pode incentivar a inadimplência ao estimular consumidores a adiar pagamentos na expectativa de novos programas de renegociação. Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que programas de renegociação podem ser benéficos desde que sejam pontuais e acompanhados de educação financeira continuada, mas alertam para o risco moral criado por programas sucessivos, que estimula o devedor a sempre esperar socorro financeiro. Lauro Gonzalez, coordenador do FGV Cemif, classifica a medida como política de alívio financeiro e não de combate às causas estruturais do superendividamento. Em debate na Band no domingo (18), o candidato Flávio Bolsonaro (PL) propôs compra e refinanciamento de dívidas pela Caixa com mais prazo, menor taxa de juros e carência de seis meses para pessoas físicas e um ano para pessoas jurídicas, sem especificação de teto, tipo de dívida ou percentual de desconto. O Nubank foi o banco que mais fez renegociações no Desenrola 2,0, reavendo dívidas negativadas que somavam mais de R$ 1 bilhão. Segundo o banco, o programa reduziu o custo de crédito do seu balanço em 5%, economizando US$ 85 milhões (R$ 443 milhões na cotação atual). Em segundo lugar está o Bradesco, que renegociou mais de R$ 660 milhões. No mercado de renegociação privada, Carol Stange, planejadora financeira CFP pela Planejar, orienta que, antes de assinar qualquer renegociação, a pessoa deve ver em linguagem clara quanto a dívida vai custar no total e qual parcela da renda mensal será consumida, alertando que muitas pessoas fecham acordos olhando apenas o valor da parcela.
FONTE ORIGINAL:
https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/10/com-estimativa-de-r-90-bi-desenrola-3-pode-superar-soma-dos-dois-primeiros-programas.shtml
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