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Balanços dos bancos: inadimplência chega a 6,6% e mercado prevê pressão sobre Banco do Brasil
Publicado em: 21/10/2026 10:33
A temporada de balanços dos maiores bancos brasileiros do terceiro trimestre começa sob a pressão do aumento da inadimplência e do endividamento das famílias. Dados do Banco Central mostram que a taxa de atrasos superiores a 90 dias nas operações de crédito com recursos livres atingiu 6,6% em agosto, o maior patamar da série histórica iniciada em março de 2011. O indicador avançou de 6,4% em julho para 6,6% em alta de 0,2 ponto percentual no intervalo de um mês e de 0,9 ponto percentual em doze meses, reforçando a preocupação com a capacidade de pagamento de consumidores e empresas. Entre pessoas físicas, a inadimplência no crédito livre alcançou 8% em agosto, contra 4,3% entre empresas, quase o dobro do registro do segmento empresarial. Considerando todas as modalidades do Sistema Financeiro Nacional, inclusive recursos direcionados, a inadimplência total atingiu 5%. O endividamento das famílias chegou a 49,9% em julho, e o comprometimento de renda com dívidas alcançou 28,7%, o que reduz a capacidade de consumo e a margem para novas operações. Para os bancos, o cenário exige maior seletividade na concessão e acompanhamento contínuo da capacidade de pagamento, com possível impacto em crescimento mais lento das carteiras e em despesas com provisões. O Banco do Brasil concentra parte das maiores preocupações dos analistas em razão da exposição ao agronegócio e do aumento das despesas com empréstimos de recuperação incerta. No segundo trimestre de 2026, a instituição registrou lucro líquido ajustado de R$ 3,9 bilhões e custo do crédito de R$ 18,5 bilhões, com inadimplência superior a 90 dias de 5,61% na carteira total. A carteira de agronegócios atingiu R$ 421,6 bilhões em junho, e a inadimplência no segmento agropecuário chegou a 6,27%, contra 3,16% um ano antes. Analistas do BTG Pactual projetam cenário mais pessimista para o trimestre, com lucro próximo de R$ 1,9 bilhão, frente a cerca de R$ 3,7 bilhões do consenso LSEG. As projeções para os demais bancos apontam cenário heterogêneo: Bradesco com estimativa de lucro de R$ 7,1 bilhões, Itaú com R$ 12,6 bilhões e BTG Pactual com R$ 5,2 bilhões. O Santander Brasil, com projeção de R$ 3,2 bilhões, enfrenta pressões sobre margens e qualidade do crédito, com atenção especial a cartões de menor renda, pequenas e médias empresas e agronegócio. O Nubank deve manter expansão de receitas, com consenso de US$ 1,09 bilhão, acompanhado de aumento de provisões. Do lado regulatório, a Resolução CMN nº 5.340, de setembro de 2026, autorizou a composição de determinadas operações rurais inadimplentes, estabelecendo condições para regularização. Em paralelo, o Banco Central estuda mecanismos para incentivar práticas mais responsáveis na concessão de crédito, com maior atenção à análise da capacidade financeira dos consumidores, incluindo possíveis ajustes em exigências prudenciais — hipóteses que ainda não correspondem à implementação de novas regras. A recuperação da qualidade do crédito depende principalmente da evolução da renda, das condições de financiamento e da capacidade efetiva de pagamento dos tomadores. A agenda das divulgações se estende de 22 de outubro a 12 de novembro, com a apresentação do Bradesco em 22/10, Santander em 28/10, Itaú em 03/11, BTG Pactual em 10/11, Banco do Brasil em 11/11 e Nubank em 12/11. Os números apresentados correspondem a estimativas de mercado compiladas pela LSEG e podem diferir dos resultados efetivos.
FONTE ORIGINAL:
https://gazetamercantil.com/balancos-bancos-inadimplencia-66-banco-do-brasil-bradesco-itau-2026
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