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Renegociação de dívida rural começa a ganhar tração, diz Banco do Brasil

Publicado em: 21/10/2026 05:00
Renegociação de dívida rural começa a ganhar tração, diz Banco do Brasil
A renegociação de dívidas rurais no Banco do Brasil, conduzida por meio das linhas criadas pela Medida Provisória 1.376/2026, ganhou tração em outubro após um início de contratações mais lento. Até o momento, foram renegociados R$ 3,3 bilhões, com outros R$ 6,5 bilhões em análise documental em quase 6,3 mil operações, concentradas principalmente entre grandes produtores. Há ainda R$ 6,1 bilhões em propostas iniciais recebidas pelas agências, totalizando R$ 15,9 bilhões e 13 mil operações em algum estágio de análise. O banco projeta repactuar mais de R$ 20 bilhões em dívidas até 12 de novembro, data-limite para contratação. Segundo o vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar, Gilson Bittencourt, cerca de R$ 500 milhões entram por dia no fluxo de renegociação. Apesar do avanço, a MP 1.376/2026 não deve alterar no curto prazo o cenário de inadimplência do agronegócio no Banco do Brasil. No fim do primeiro semestre, 6,27% da carteira do setor na instituição, de R$ 421,5 bilhões, apresentava atrasos acima de 90 dias, equivalente a cerca de R$ 26,4 bilhões. Bittencourt projeta estabilização do percentual no quarto trimestre e queda paulatina a seguir. O índice é menor que a média de mercado de pessoas físicas apontada pelo Banco Central, de 9,7%, segundo o executivo. Os inadimplentes responderam abaixo do esperado à oferta de renegociação: parte informou que não pretendia renegociar ou buscava outras alternativas. O movimento passou a avançar com clientes adimplentes que já possuíam financiamentos prorrogados ou renegociados, incluindo aqueles atendidos a taxas livres pela MP 1.314/2025. O perfil predominante são grandes produtores transferindo dívida de taxa livre para taxa controlada. Dados do Banco Central apontam R$ 10,17 bilhões renegociados pela MP 1.376/2026 até a terça-feira (20/10), em quase 38,5 mil financiamentos que geraram 22,7 mil novas operações — menos de 10% do potencial de R$ 120 bilhões identificado pelo governo federal, dos quais R$ 25,8 bilhões são de operações com equalização da União. O Sicredi renegociou R$ 3,8 bilhões e o Banrisul, R$ 2,2 bilhões, com concentração no Rio Grande do Sul (R$ 6,2 bilhões), seguido por Minas Gerais e Paraná. Para viabilizar as operações, o Banco do Brasil usa saldo de R$ 12,4 bilhões em operações equalizadas e recursos de depósitos à vista, poupança rural e livres. O banco também flexibilizou exigências de garantias, e Bittencourt alertou que produtores que não aderirem à renegociação terão mais dificuldade para buscar soluções futuras.
FONTE ORIGINAL:
https://globorural.globo.com/credito-e-investimento/noticia/2026/10/renegociacao-de-divida-rural-comeca-a-ganhar-tracao-diz-banco-do-brasil.ghtml
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