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Bradesco vê crescimento de inadimplência generalizada, mas carteira protegida, diz CEO

Publicado em: 23/10/2026 10:40
Bradesco vê crescimento de inadimplência generalizada, mas carteira protegida, diz CEO
O Bradesco registrou lucro líquido recorrente de R$ 7,1 bilhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 14,6% em relação ao mesmo período de 2025 e de 0,8% na comparação trimestral, no 11º trimestre consecutivo de crescimento. No mesmo período, as despesas com provisões para devedores duvidosos (PDD) expandida somaram R$ 10,6 bilhões, avanço de 24,3% em um ano e de 6,6% ante o segundo trimestre, enquanto o custo do crédito subiu de 3,5% para 3,7%. A inadimplência acima de 90 dias chegou a 4,6% em setembro, ante 4,3% em junho e 4,1% um ano antes. O CEO Marcelo Noronha afirmou, em coletiva após a divulgação dos resultados, que a pressão sobre a inadimplência e o custo do crédito tende a persistir por um período mais longo, associando o cenário ao comprometimento de renda das famílias, aos juros elevados e à desaceleração da economia. O executivo citou a previsão de economistas para crescimento de PIB de 1% em 2027 e afirmou que "os dados remetem a um crescimento de inadimplência generalizada no mercado". Noronha ponderou que o perfil da carteira do Bradesco é mais conservador do que em ciclos anteriores, com maior participação de operações garantidas — financiamentos imobiliários, veículos, consignados e linhas cobertas por fundos garantidores do governo federal (FGI e FGO). Segundo o executivo, atrasos em linhas garantidas por fundos públicos podem pressionar o indicador de inadimplência acima de 90 dias, mas parte das perdas é absorvida pelas garantias. Cerca de metade do avanço trimestral da inadimplência, segundo o banco, veio de operações de capital de giro para pequenas e médias empresas com garantias de FGI e FGO, além de atrasos sazonais na carteira rural do Banco João Dias. A deterioração foi mais acentuada entre micro, pequenas e médias empresas, segmento em que a inadimplência acima de 90 dias passou de 3,7% para 4,9% em 12 meses. O diretor de Relações com Investidores André Carvalho afirmou que o banco prioriza segmentos e modalidades de crédito com garantias e clientes de melhor classificação de risco, reduzindo a exposição a linhas como crédito pessoal sem garantia e rotativo de cartão. A carteira de crédito expandida cresceu 11,1% em 12 meses, para R$ 1,15 trilhão. Noronha reiterou que a estratégia do banco permanece a mesma e que a piora dos indicadores não significa, necessariamente, falta de resultado para absorver as perdas. O executivo evitou comentar propostas eleitorais relacionadas à suspensão de cobrança de dívidas e afirmou que não trabalha com a perspectiva de interrupção do crescimento do lucro, embora o banco ainda não tenha divulgado projeções para 2027.
FONTE ORIGINAL:
https://exame.com/invest/mercados/bradesco-ve-crescimento-de-inadimplencia-generalizada-mas-carteira-protegida-diz-ceo
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