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Juros altos e dívidas travam crédito imobiliário para a classe média

Publicado em: 24/10/2026 12:42
Juros altos e dívidas travam crédito imobiliário para a classe média
Famílias de renda média enfrentam dificuldades para acessar crédito imobiliário diariamente da combinação de juros elevados, imóveis valorizados e desafios para reunir a entrada, segundo a reportagem. A situação é agravada para quem não se enquadra nas condições dos programas habitacionais e depende de linhas convencionais, com taxas mais altas e exigências de entrada que podem representar centenas de milhares de reais nos imóveis mais caros. O economista e professor universitário Luciano Simões aponta o endividamento das famílias como um dos fatores que dificultam o acesso ao financiamento. Despesas acumuladas com cartão de crédito, empréstimos e parcelamentos reduzem a margem disponível para assumir uma prestação imobiliária, e as instituições financeiras avaliam a capacidade de pagamento antes de conceder o crédito — compromissos existentes podem impedir a aprovação, mesmo quando a renda parece suficiente em uma análise simplificada. Segundo ele, uso frequente de cheque especial e comprometimento elevado do limite do cartão podem prejudicar a avaliação feita pelos bancos. O diretor regional do SindusCon-SP, Lucas Teixeira, afirma que o ritmo de vendas segue em patamar semelhante ao do ano passado, mas juros altos e incertezas eleitorais podem afetar pontualmente decisões de compra e condições de acesso ao crédito. Ele identifica a classe média, especialmente a parcela que não se enquadra no Minha Casa, Minha Vida Faixa 4 (renda de R$ 9,6 mil a R$ 13 mil), como uma das mais impactadas, com parte dos consumidores podendo adiar a aquisição. O Minha Casa, Minha Vida é apontado como principal alternativa de juros reduzidos, contemplando renda mensal de até R$ 13 mil, com imóveis de até R$ 600 mil na modalidade da classe média (taxa de 10,47% ao ano, segundo a GM Financiamento Imobiliário) e juros que chegam a 4,25% ao ano nas demais faixas. Na Caixa, as taxas em linhas convencionais partem de 10,99% ao ano mais TR (2,02% em 12 meses), variando de 10,99% a 11,49% ao ano mais TR no SFH/SBPE e de 11,80% a 12% no SFI, com prazos de até 420 meses. O banco ressalta que cada produto possui regras próprias e que simulações não representam aprovação de crédito. A entrada é descrita como um dos principais obstáculos. O diretor da GM Financiamento Imobiliário, Thiago Baroni, afirma que bancos privados avaliam o perfil de cada cliente para definir o percentual financiado: a Caixa financiaria até 80% do imóvel no SAC e até 70% no Price nas condições convencionais que ele acompanha, o Santander chegaria a 90% no SAC e 80% no Price conforme análise de crédito, e Itaú e Bradesco trabalhariam com percentuais que podem chegar a 80%, dependendo da operação. A reportagem calcula que, em um imóvel de R$ 500 mil, uma entrada de 20% equivale a R$ 100 mil, subindo para R$ 150 mil se o financiamento cobrir 70% do valor, sem considerar despesas adicionais. Para Simões, a barreira é ainda mais evidente em imóveis de maior valor, como apartamentos novos de R$ 1,5 milhão em Santos.
FONTE ORIGINAL:
https://www.atribuna.com.br/noticias/brasil-e-economia/juros-altos-e-dividas-travam-credito-imobiliario-para-a-classe-media-1.534311
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