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Produtividade sustentou agropecuária no século, mas crédito caro deixou setor exposto após a pandemia, diz Cepea
Publicado em: 26/10/2026 15:02
Um novo Texto Ocasional para Discussão do Cepea, assinado pelo coordenador científico Geraldo Barros e pelo pesquisador Lucilio Alves, reconstrói a trajetória da agropecuária brasileira entre 2000 e 2025 e examina como se deu o financiamento e o endividamento do setor no período. Segundo o estudo, a produção agropecuária cresceu quase 150% nesse intervalo, contra 2,3% ao ano do PIB do país, e o desempenho veio da produtividade, e não dos preços: a produtividade total dos fatores avançou 92% entre 2000 e 2024 e explica 82% da expansão do volume, enquanto a relação de preços entre insumos e produtos piorou 35%. O quadro teria mudado com a pandemia. Os preços reais da agropecuária subiram 72% de 2019 a 2021 e a renda do setor, 84%; em seguida, os preços recuaram 24% até 2025 e a renda caiu 14% de 2021 a 2024, enquanto os insumos, que subiram 60% de 2019 a 2022, seguiram caros. O crédito encareceu: a taxa média do crédito rural a pessoas físicas passou de 6,2% ao ano em 2020 para 11,2% em 2023 e 12,2% em 2025, acompanhando a Selic. Sobre endividamento, o passivo do setor no sistema financeiro, que havia caído para 61% da renda em 2020, chegou a 106% em 2024 e a 94% em 2025, dentro da faixa observada entre 2013 e 2019. O crédito rural concedido passou de R$ 251 bilhões em 2019 para R$ 446 bilhões em 2023, a preços de 2025; as Letras de Crédito do Agronegócio somaram R$ 125 bilhões em 2025, quase sete vezes o valor de 2016 e 35% do crédito rural, e entre as fontes privadas a parcela contratada a taxas livres passou de 7% em 2013 para 52% em 2025. O estudo observa ainda que o investimento agropecuário depende cada vez menos do crédito rural: o montante passou de R$ 152 bilhões em 2019 para R$ 260 bilhões em 2025, estimativa do Cepea, e o crédito rural financiou apenas 36% dele em 2025. Os outros 64% vieram de recursos próprios, de Cédulas de Produto Rural, de fornecedores e de leasing — parte que é dívida não aparece nas estatísticas do Banco Central. No que diz respeito à inadimplência, o estudo distingue as duas frentes. Entre as empresas do setor agropecuário, a inadimplência chegou a 3,5% em agosto de 2026, abaixo da média do sistema financeiro, de 5,2%. Entre as pessoas físicas, que respondem por cerca de 80% da carteira, a inadimplência do crédito rural passou de 0,8% em dezembro de 2022 para 9,7% em agosto de 2026, recorde da série do Banco Central. Para os autores, decisões tomadas antes da pandemia perderam rentabilidade no cenário seguinte e o crédito, mais caro, não veio em socorro.
FONTE ORIGINAL:
https://batatais24h.com.br/noticia/4360/produtividade-sustentou-agropecuaria-no-seculo-mas-credito-caro-deixou-setor-exposto-apos-a-pandemia-diz-cepea
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