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Superendividamento no Brasil cresce 75% em cinco anos, aponta Banco Central

Publicado em: 27/10/2026 20:34
Superendividamento no Brasil cresce 75% em cinco anos, aponta Banco Central
O número de brasileiros em situação de endividamento de risco chegou a 20,3 milhões em junho de 2026, alta de 75% em cinco anos, conforme o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central. O contingente representa 17% dos devedores do Sistema Financeiro Nacional. Diante do avanço do problema, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que a instituição pretende anunciar novas medidas para conter ofertas agressivas de crédito ainda neste ano. O comprometimento da renda com dívidas no cartão de crédito aumentou em todas as faixas salariais. Entre os que recebem até dois salários mínimos, grupo que reúne 61,2 milhões de pessoas, o comprometimento total chegou a 42% da renda em junho de 2026, com 15% referentes a dívidas no cartão. Entre quem ganha mais de dez salários mínimos, o comprometimento total da renda fica em 18,6%. As próximas iniciativas do Banco Central devem priorizar consumidores que já utilizam crédito rotativo de cartão ou apresentam atrasos significativos no pagamento. Galípolo apontou o crescimento de modalidades de crédito sem garantia — como cartão, cheque especial e empréstimo pessoal não consignado — mesmo em cenário de juros elevados, destacando que tais modalidades crescem "de maneira pouco sensível a preço". Para classificar um consumidor como endividado de risco, o Banco Central considera quatro critérios, exigindo o atendimento a pelo menos dois deles: atraso superior a 90 dias em parcelas de crédito; comprometimento de mais de 50% da renda mensal com dívidas; uso simultâneo de cheque especial, crédito pessoal sem consignação e crédito rotativo; e renda restante após o pagamento de dívidas abaixo da linha de pobreza. A classificação não significa que todos estejam inadimplentes, mas indica maior vulnerabilidade financeira. Na última sexta-feira (23), o Banco Central anunciou medidas para restringir ofertas inadequadas de crédito e ampliar a transparência na contratação de empréstimos. Instituições financeiras deverão oferecer mecanismos para bloquear publicidade e propostas ativas de crédito. Para consumidores vulneráveis ou em risco de endividamento excessivo, as ofertas dependerão de autorização prévia, específica e inequívoca, limitando-se a alternativas que melhorem as condições do cliente, como renegociação e portabilidade, sem concessão de novos recursos. As regras de bloqueio de ofertas entram em vigor em 31 de março de 2027. Outras medidas, previstas para julho do mesmo ano, incluem painéis digitais com informações sobre dívidas e limites para ofertas de empréstimos durante transações iniciadas pelo Pix, com o objetivo de reduzir a contratação de crédito inadequado e evitar o agravamento do endividamento das famílias brasileiras.
FONTE ORIGINAL:
https://agoralitoral.com.br/2026/10/27/superendividamento-no-brasil-cresce-75-em-cinco-anos-aponta-banco-central
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