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Um país no rotativo: o brasileiro nunca esteve tão pendurado

Publicado em: 27/10/2026 13:50
Um país no rotativo: o brasileiro nunca esteve tão pendurado
O brasileiro está no maior nível de endividamento desde o início da série histórica, medida a partir de 2010. Segundo a Peic, pesquisa mensal da Confederação Nacional do Comércio (CNC), 82% das famílias tinham dívidas a vencer em julho e em agosto, o maior patamar registrado; em setembro, o índice recuou para 81,7%, primeira queda do ano. A inadimplência está em 29,6%, e 12,5% das famílias dizem que não vão conseguir pagar o que devem. O parcelamento sem juros aparece como estrutura central desse consumo: respondeu por 43% do valor gasto no cartão de crédito no primeiro semestre de 2026, segundo a Abecs, e é adotado por nove em cada dez varejistas, conforme levantamento da CNC. A reportagem relaciona essa prática ao faturamento do varejo e a depoimentos sobre crédito fácil como via de sensação de mobilidade social sustentada por endividamento. Para quem escorrega do parcelado para o rotativo, o Banco Central registrou juro médio acima de 440% ao ano em agosto de 2026, uma das taxas mais caras do sistema financeiro. O texto cita ainda cheque especial a 136% e a Selic alta contaminando toda a cadeia de crédito como elementos do custo da dívida na saída. A CNC atribui às plataformas de apostas uma fatia relevante do problema: R$ 30 bilhões destinados por mês em março de 2026, alta de mais de 500% desde 2023, e cerca de 270 mil famílias levadas à inadimplência. A Secretaria de Prêmios e Apostas registrou receita bruta do setor regulado de R$ 37 bilhões em 2025 — diferença entre o total apostado e os prêmios pagos —, e cálculos do BNLData indicam algo próximo de 1,5% do saldo total de crédito das famílias. Um estudo do economista Sérgio Firpo, do Insper, com pesquisadores da Stone, a partir de movimentação bancária de milhões de clientes, comparou novos apostadores regulados a grupo semelhante: nos doze meses seguintes à primeira aposta, a proporção de inadimplentes ficou em média 20% maior, a parcela da fatura do cartão em atraso cresceu 38,7% e o limite de crédito oferecido caiu 16%. Os autores admitem o caminho inverso, de pessoas que passaram a apostar com contas já atrasadas. Na esfera regulatória, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, classificou as bets como elemento "central" do endividamento das famílias. Em 25 de setembro, o governo federal editou a Medida Provisória 1.394/2026, que proibiu as apostas de quota fixa, tirou sites e aplicativos do ar em 6 de outubro e extinguiu as autorizações das empresas no dia 25. A MP está em vigor, depende de votação no Congresso e é contestada no Supremo Tribunal Federal por entidades do setor.
FONTE ORIGINAL:
https://revistatrip.uol.com.br/trip/um-pais-no-rotativo-o-brasileiro-nunca-esteve-tao-pendurado
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