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Relatório do BC aponta que peso das dívidas nas rendas das famílias atinge maior nível desde 2012
Publicado em: 27/10/2026 11:36
O peso das dívidas no orçamento das famílias alcançou o maior nível em 21 anos, e a parcela dos empréstimos com problemas de pagamento chegou a patamares recordes, segundo o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central. Os ativos problemáticos — operações com atraso superior a 90 dias ou com sinais de que não serão integralmente quitadas — representavam 9,2% do crédito às pessoas físicas em junho de 2026, depois de atingir 9,3% pouco antes, o maior percentual da série iniciada em 2012. Em 2021, o indicador havia registrado o ponto mais baixo, em 6,3%. O avanço ocorre apesar da queda do desemprego e do aumento do salário médio. O Banco Central descreve a pressão como mais intensa entre pessoas de menor renda e associada principalmente a modalidades caras, como o cartão de crédito e o empréstimo pessoal sem garantia. No primeiro semestre, todas as modalidades apresentaram piora, e quatro chegaram aos maiores níveis de suas séries: cartão de crédito, crédito rural, financiamento de veículos e consignado. A maior taxa entre as linhas analisadas foi a do crédito pessoal não consignado, ainda abaixo do recorde de 2016. Em junho, 20,3 milhões de pessoas se enquadravam no critério de "endividados de risco" do Banco Central, equivalente a 17% dos devedores do sistema financeiro, com crescimento de 75% em relação a junho de 2021. O relatório aponta a inadimplência como principal responsável pelo crescimento dos ativos problemáticos, parte do qual está relacionada à mudança nas regras de contabilização das operações. Desde janeiro de 2025, a Resolução 4.966 do Conselho Monetário Nacional deixou aos bancos a decisão sobre quando reconhecer uma dívida como perdida, o que fez créditos em atraso permanecerem por mais tempo nos balanços e elevou os indicadores. Pelos cálculos do Banco Central, sem essa alteração a inadimplência do sistema financeiro seria 0,78 ponto percentual menor em junho, efeito equivalente a aproximadamente 45% do aumento observado desde dezembro de 2024. O relatório ressalta que, mesmo sob as regras anteriores, a inadimplência teria avançado. As projeções não apontam melhora imediata: a materialização de risco aumentou e deve continuar pressionada no curto prazo, com os ativos problemáticos mantendo-se elevados na maioria das modalidades ao longo de 2026 e os bancos sinalizando condições mais restritivas para a concessão de crédito às famílias no segundo semestre. Diante desse cenário, o Banco Central estuda medidas macroprudenciais para reduzir o superendividamento, entre as quais exigências prudenciais mais rigorosas para linhas de maior risco e acompanhamento mais próximo da capacidade de pagamento dos clientes, sem calendário anunciado para a adoção dessas iniciativas. Apesar da deterioração dos indicadores, a instituição avalia que não há risco relevante para a estabilidade financeira, indicando que os bancos reforçaram as provisões para possíveis perdas e mantêm níveis confortáveis de capital e liquidez.
FONTE ORIGINAL:
https://agendadopoder.com.br/relatorio-do-bc-aponta-que-peso-das-dividas-nas-rendas-das-familias-atinge-maior-nivel-desde-2012
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