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Dívidas das famílias com problema de pagamento atingem maior nível desde 2012, diz BC

Publicado em: 27/10/2026 10:29
Dívidas das famílias com problema de pagamento atingem maior nível desde 2012, diz BC
O Relatório de Estabilidade Financeira (REF) do Banco Central (BC) indica que a parcela das dívidas das famílias com problema de pagamento atingiu o maior nível desde 2012. Os ativos problemáticos — créditos com atraso superior a 90 dias ou com indícios de que não serão pagos integralmente — representavam 9,2% da carteira de crédito às pessoas físicas, ante 6,3% no ponto mais baixo, em 2021. A piora atingiu todas as modalidades no primeiro semestre. Em quatro delas o indicador alcançou o maior patamar da série: cartão de crédito, crédito rural, veículos e consignado. No crédito pessoal não consignado, a taxa é de 14,9%, a mais alta entre as linhas, mas ainda abaixo do pico de 16,5% registrado em 2016. Segundo o BC, a inadimplência foi o principal motor da alta. Desde janeiro de 2025, a Resolução 4.966 do Conselho Monetário Nacional (CMN) deixou a cargo dos bancos a decisão sobre quando dar uma dívida como perdida; com isso, as operações em atraso passaram a ficar mais tempo nos balanços, elevando os indicadores. O relatório estima que, sem essa mudança, a inadimplência do sistema financeiro seria 0,78 ponto percentual menor em junho, equivalente a cerca de 45% da alta registrada desde dezembro de 2024, ressaltando que a inadimplência teria subido mesmo com as regras antigas. O pano de fundo é o aperto no orçamento das famílias. Mesmo com o desemprego em queda e o salário médio em alta, o comprometimento da renda com o pagamento de dívidas atingiu o nível mais elevado em 21 anos. O impacto é maior entre tomadores de menor renda e vem sobretudo de linhas caras, como cartão e crédito pessoal sem garantia. Em junho, 20,3 milhões de pessoas se enquadravam no critério de "endividados de risco" do BC, o equivalente a 17% dos devedores do sistema financeiro e 75% a mais que em junho de 2021. A perspectiva divulgada não é de alívio no curto prazo: "a materialização de risco aumentou e deve continuar pressionada no curto prazo". As estimativas de probabilidade de inadimplência do BC indicam que os ativos problemáticos devem continuar elevados na maioria das modalidades ao longo de 2026, enquanto os bancos sinalizam crédito mais restrito às famílias no segundo semestre. Diante disso, o BC estuda medidas macroprudenciais voltadas às linhas de maior risco para reduzir o superendividamento, entre as quais exigências prudenciais mais duras para determinadas modalidades e acompanhamento mais próximo da capacidade de pagamento dos tomadores, sem calendário definido no relatório. Apesar da piora, o BC avalia que não há risco relevante para a estabilidade financeira, citando provisões para perdas elevadas e capital e liquidez confortáveis nos bancos.
FONTE ORIGINAL:
https://oglobo.globo.com/google/amp/economia/noticia/2026/10/27/dividas-das-familias-com-problema-de-pagamento-atingem-maior-nivel-desde-2012-diz-bc.ghtml
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