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Endividamento de risco cresce 75% em 5 anos e atinge 20,3 milhões de brasileiros, diz BC
Publicado em: 28/10/2026 11:42
Cerca de 20,3 milhões de brasileiros estavam em situação de endividamento de risco em junho de 2026, o equivalente a 17% das pessoas com dívidas no Sistema Financeiro Nacional (SFN), segundo relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central (BC) divulgado na terça-feira (27). O número representa crescimento de 75% em cinco anos. O relatório distingue endividamento — situações como compras parceladas, financiamento imobiliário e uso de cartão de crédito — de inadimplência, que se refere a pagamentos atrasados ou dificuldades financeiras. Para classificar alguém como endividado de risco, o BC considera a combinação de pelo menos dois de quatro critérios: inadimplência superior a 90 dias; comprometimento de mais da metade da renda mensal com dívidas; renda restante abaixo da linha da pobreza após o pagamento dos débitos; e uso simultâneo de cheque especial, crédito pessoal sem consignação e crédito rotativo. A proporção de tomadores nessa situação subiu de 9,7% em junho de 2021 para 13,1% em 2022, 13,8% em 2023, recuo para 13,4% em 2024 e 17% em junho de 2026. O peso das dívidas no orçamento é maior entre os de baixa renda: para quem ganha até dois salários mínimos, o pagamento das dívidas compromete 42% da renda mensal, dos quais 15% correspondem a cartão de crédito. Essa faixa reúne 61,2 milhões de tomadores de crédito no SFN e concentra perfil associado a modalidades de alto custo, como cartão e empréstimos pessoais sem consignação, cuja participação cresceu de forma mais intensa entre consumidores de menor renda. Para quem ganha mais de dez salários mínimos — 4,4 milhões de tomadores —, o comprometimento da renda é de 18,6%, com pagamentos mais ligados a financiamentos imobiliários e de veículos. O relatório aponta que a oferta frequente de crédito em canais digitais pode estimular a contratação de empréstimos sem planejamento, especialmente entre consumidores de menor renda, público que recebe, em média, nove ofertas digitais de crédito por mês, segundo pesquisa citada pelo BC. O Banco Central estuda medidas para reduzir riscos associados à concessão de crédito e à forma como os produtos são oferecidos. Na modalidade Crédito do Trabalhador, criada para oferecer empréstimos consignados a trabalhadores do setor privado, o saldo de operações inadimplentes chegou a R$ 6,1 bilhões em junho de 2026. Segundo o BC, parte desse valor estava associada a trabalhadores que perderam o emprego e outra parcela a pessoas demitidas que conseguiram nova colocação formal.
FONTE ORIGINAL:
https://g1.globo.com/google/amp/economia/noticia/2026/10/28/endividamento-cresce-bc.ghtml
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