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Desemprego em 5,2% pode travar queda da Selic em 2027, alertam analistas
Publicado em: 30/10/2026 11:10
O mercado de trabalho brasileiro registrou taxa de desemprego de 5,2%, patamar muito próximo da mínima histórica de 5,1%, o que produz um efeito duplo na economia: a renda em alta e a massa salarial recorde sustentam o consumo das famílias, ao mesmo tempo em que geram sinal de alerta para a inflação, especialmente no setor de serviços. Analistas ouvidos pela reportagem avaliam que esse cenário deve limitar a atuação do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, mantendo a Selic em patamares elevados ao longo de 2027, com projeções que variam entre 11,5% e 14,5%. A escassez de mão de obra disponível pressiona custos salariais e encarece os serviços, segmento historicamente mais rígido frente às metas de inflação. Gustavo Assis, CEO da Asset, destaca que o mercado de trabalho aquecido dificulta a desaceleração da inflação de serviços e, somado ao dólar pressionado e às incertezas fiscais, reduz o espaço do Copom para cortes; a casa projeta inflação entre 4,3% e 4,7% e Selic fechando 2027 entre 11,75% e 12,25%. Antônio Patrus, CEO da Bossa Invest, observa que a expansão econômica dependerá de saltos de produtividade, uma vez que a demanda pressiona preços se a oferta não acompanhar, cenário que exige prudência do Banco Central diante dos juros nos Estados Unidos e das questões fiscais domésticas. Além da dinâmica salarial, aponta-se que as incertezas fiscais do pós-eleição e o cenário externo sustentam juros longos altos, encarecendo o crédito e retraindo o investimento produtivo. André Matos, CEO da MA7 Capital, trata o dado de emprego como reflexo defasado: com as famílias já comprometendo cerca de 29% da renda com dívidas e juros altos por mais tempo, projeta inflação entre 4,8% e 5,2% e Selic entre 13,75% e 14,5% ao fim de 2027, cenário no qual o investimento produtivo quase não cresce e o PIB tende a ficar abaixo de 1%. Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, considera que a definição da política fiscal é o que destravará os aportes privados: mesmo com redução gradual da Selic, os juros longos permanecem altos se o mercado exigir prêmio de risco pela dívida pública, e um sinal fiscal firme pode reduzir o custo de capital e reativar investimentos.
FONTE ORIGINAL:
https://www.band.com.br/economia/macroeconomia/desemprego-em-52-pode-travar-queda-da-selic-em-2027-alertam-analistas
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