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Inadimplência do crédito rural chega a 9,7% e expõe pressão de juros e custos sobre produtores
Publicado em: 30/10/2026 09:30
A inadimplência do crédito rural contratado por pessoas físicas atingiu 9,7% em agosto de 2026, o maior nível da série histórica do Banco Central, segundo estudo de Geraldo Sant'Ana de Camargo Barros e Lucilio Rogerio Aparecido Alves. As pessoas físicas respondem por cerca de 80% da carteira de crédito rural, e nesse grupo a proporção de operações com atraso superior a 90 dias subiu de 0,8% em dezembro de 2022 para 6,6% em dezembro de 2025. Na mesma referência de agosto, a inadimplência do sistema financeiro estava em 5,2% e a das empresas da agropecuária em 3,5%. O estudo também cita uma carteira problemática de R$ 205 bilhões, equivalente a 23,8% da carteira de crédito rural, conceito mais amplo que inclui operações renegociadas e prorrogadas. O encarecimento do financiamento aparece entre os fatores que ajudam a explicar a deterioração financeira. A taxa média anual das operações de crédito rural com pessoas físicas passou de 6,3% em 2021 para 12,2% em 2025, enquanto a média da Selic avançou de 4,4% para 14,3% no mesmo intervalo. Entre 2019 e 2022, os preços dos insumos agropecuários aumentaram 60%, contra alta de 50% nos preços dos produtos. O crédito rural concedido cresceu de R$ 251 bilhões em 2019 para R$ 446 bilhões em 2023, cerca de 78% em termos reais, mas o PIB-renda da agropecuária, que havia subido 84% entre 2019 e 2021, recuou 14% entre 2021 e 2024. A relação entre o passivo rural no Sistema Financeiro Nacional e o PIB-renda da agropecuária caiu de 100% em 2013 para 61% em 2020 e 62% em 2021, depois voltou a subir até 106% em 2024 e se reduziu para 94% em 2025. Segundo os autores, a melhora observada no início da década ocorreu porque a renda cresceu mais rapidamente que a dívida, sem que houvesse necessariamente redução do saldo devedor. Após o recorde de 2023, as concessões recuaram para R$ 399 bilhões em 2024 e R$ 361 bilhões em 2025, em valores corrigidos pela inflação. Houve também mudança na composição das fontes. Recursos via Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) aplicados no crédito rural passaram de R$ 19 bilhões em 2016 para R$ 125 bilhões em 2025, cerca de 35% das concessões. Dentro do financiamento de origem privada, a participação de operações a taxas livres subiu de 7% em 2013 para 52% em 2025. No investimento, o setor alcançou R$ 260 bilhões em 2025, dos quais 36% vieram de crédito rural para investimento e 64% de recursos próprios e alternativas como Cédulas de Produto Rural (CPRs), financiamento de fornecedores e leasing — parcela que não aparece nas estatísticas específicas de crédito rural do Banco Central. O estudo alerta que o crescimento dos instrumentos privados entre 2020 e 2025 — estoque de CPRs quase 18 vezes maior e de LCAs aproximadamente quadruplicado, em termos reais — não deve ser lido como soma de recursos adicionais, já que uma CPR pode servir de lastro para outra operação, inclusive estruturas ligadas a LCAs e Fiagros, gerando risco de dupla contagem. Apesar do avanço produtivo, com volume produzido cerca de 150% maior entre 2000 e 2025 e ganhos de produtividade explicando cerca de 82% desse crescimento, a combinação de insumos mais caros, financiamento oneroso e perda de renda comprometeu a liquidez de produtores e ajuda a explicar o avanço dos atrasos.
FONTE ORIGINAL:
https://www.portaldoagronegocio.com.br/politica-rural/credito-rural/noticias/inadimplencia-do-credito-rural-chega-a-9-7-e-expoe-pressao-de-juros-e-custos-sobre-produtores
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