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Endividamento renova recorde e pressiona mais a inadimplência
Publicado em: 30/10/2026 05:00
O endividamento das famílias com operações de crédito superou, pela primeira vez na série histórica iniciada em 2005, 50% do rendimento acumulado em 12 meses, atingindo 50,1% em agosto, segundo dados do Banco Central. O comprometimento de renda das famílias, que mede a parcela do salário mensal destinada ao pagamento de dívidas, também atingiu recorde em agosto, chegando a 29%, ante 28,8% em julho. A inadimplência das pessoas físicas com recursos livres atingiu 8,1% em setembro, alta de 0,1 ponto percentual, renovando o recorde histórico. A inadimplência média na economia, que inclui todas as operações entre pessoas físicas e jurídicas, manteve-se em 5%, no pico da série. Analistas apontam juros elevados e comprometimento de renda das famílias como fatores estruturais que pressionam a inadimplência, mesmo com programas de renegociação de dívidas. O Banco Central anunciou medidas para reduzir a oferta ativa e personalizada de créditos caros a perfis de baixa renda e baixa escolaridade, e o presidente da instituição afirmou que novas medidas macroprudenciais devem ser divulgadas ainda no ano. Entre as modalidades, o Citi apontou que a inadimplência no consignado privado subiu 20 pontos-base para 10,8% em comparação mensal, e no cartão de crédito subiu 10 pontos-base para 10%, enquanto o crédito pessoal ficou estável em 11,1%. Bancos relataram piora generalizada: o Bradesco registrou índice de inadimplência de 4,6% em setembro, ante 4,3% em junho, e o Santander subiu para 3,4%. O Santander observou que a deterioração em cartões, antes concentrada no segmento de baixa renda, começa a contaminar a média renda. O Itaú BBA reduziu projeções de lucro do Nubank para 2027, citando piora contínua das dinâmicas de crédito para pessoa física e risco das novas medidas macroprudenciais do BC. Entre as medidas em avaliação pelo Banco Central estão requisitos prudenciais mais rigorosos para determinados produtos de crédito, monitoramento mais atento da capacidade de pagamento dos tomadores e ênfase na adequação e viabilidade financeira na concessão. Um executivo do setor aponta o possível aumento do fator de ponderação de risco (FPR) para o cartão de crédito, questionando sua eficácia, já que pode elevar simultaneamente a restrição de oferta e o preço ao consumidor final. A Febraban projeta inadimplência para crédito com recursos livres (PF e PJ) de 6,1% ao fim do ano e 5,9% no encerramento de 2027, apontando tendência de alta ainda não aguda. Para 2027, o desempenho dependerá do cenário macro, especialmente da política fiscal e da trajetória de juros, e do impacto sobre emprego e capacidade de pagamento das famílias, com comprometimento de renda já elevado.
FONTE ORIGINAL:
https://valor.globo.com/financas/noticia/2026/10/30/endividamento-renova-recorde-e-pressiona-mais-a-inadimplencia.ghtml
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