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Endividamento recorde: relatório do Banco Central não cita as bets, usadas pelo governo para justificar a proibição

Publicado em: 31/10/2026 10:22
Endividamento recorde: relatório do Banco Central não cita as bets, usadas pelo governo para justificar a proibição
O endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro atingiu 50,1% da renda acumulada em 12 meses em agosto, o maior nível da série histórica do Banco Central. O comprometimento da renda com juros e amortizações bancárias também bateu recorde, em 29,0%: de cada R$ 100 do orçamento doméstico, quase R$ 29 destinam-se aos bancos. O relatório não cita as bets, embora o endividamento tenha sido um dos principais argumentos do governo para editar a MP 1.394/2026, que proibiu apostas de quota fixa em 25 de setembro, nem a intenção anunciada de obrigar empresas a indenizar quem se endividou com apostas. Segundo o Banco Central, a explicação está no crédito caro: no Relatório de Política Monetária de setembro, a autoridade monetária atribuiu a alta do comprometimento da renda ao aumento do custo do crédito durante o aperto monetário e à expansão do crédito emergencial, tipicamente mais caro. O presidente do BC, Gabriel Galípolo, falou em ofertas agressivas ou predatórias, classificou o cartão de crédito como produto com "problema de design" e informou que a instituição prepara novas medidas para conter a concessão predatória de crédito. Especialistas ouvidos pelo Globo avaliam que o recorde decorre de período em que o crédito cresce mais do que a renda das famílias. O texto destaca que a inadimplência do consignado para trabalhadores do setor privado passou de 5,2% em setembro de 2025 para 10,6% em agosto de 2026, e que os juros dessa modalidade bateram recorde depois do lançamento do Crédito do Trabalhador, por causa do aumento do risco associado ao programa. O endividamento segue em alta mesmo com dois programas de renegociação de dívidas lançados pelo governo Lula. Quanto à cronologia, o indicador havia recuado no início do atual governo, chegando a 47,7% em dezembro de 2023, e voltou a crescer antes do mercado regulado, que passou a valer em janeiro de 2025; o dado divulgado é de agosto, anterior à MP. O indicador do BC mede dívidas com o sistema financeiro, e no mercado regulado era proibido apostar com cartão de crédito, canal que ligaria a aposta à dívida bancária — com a proibição, essas barreiras deixam de existir para o apostador que migra para sites ilegais. Em abril, o Banco Central apontou a necessidade de aprofundar estudos sobre as bets como possível fator de risco de endividamento, sobretudo entre os mais vulneráveis; seis meses depois, no relatório com o recorde, as apostas não aparecem entre as causas. O texto informa que o Banco Central divulgará em dezembro os dados de outubro, primeiro mês inteiro sem apostas reguladas no país, como teste para a tese do governo.
FONTE ORIGINAL:
https://bnldata.com.br/endividamento-recorde-relatorio-do-banco-central-nao-cita-as-bets-usadas-pelo-governo-para-justificar-a-proibicao
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