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Proposta de Lara Resende para limitar Selic assusta mercado; Durigan nega discussão no governo
Publicado em: 01/11/2026 17:35
Uma proposta do economista André Lara Resende para reduzir a taxa Selic por meio de um novo arranjo entre as políticas fiscal e monetária entrou no radar de integrantes do governo, que querem apresentar o tema ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação do tema provoca apreensão no mercado financeiro em um momento em que economistas cobram do próximo governo uma agenda fiscal crível e aliados do petista defendem a antecipação da definição da equipe econômica do quarto mandato para enviar sinalizações ao mercado. Lara Resende defende que o problema fiscal do Brasil está nos juros e não no gasto primário, retomando a tese em artigo publicado no fim de setembro. Para ele, a Selic elevada faz os encargos da dívida crescerem a um ritmo que a produção de riqueza não consegue acompanhar, o que explicaria a trajetória da dívida pública. A proposta inclui uma espécie de "tabelamento" da Selic e a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional, que definiria metas em conjunto para um horizonte de quatro a cinco anos, com o Banco Central mantendo a taxa entre a meta de inflação (3%) e o crescimento nominal potencial do PIB (cerca de 5,5%), reduzindo-a gradualmente ao longo de 12 meses para 7,5%. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse à Folha que nenhuma ideia de tabelamento de juros está na mesa do presidente Lula e que não há encontro previsto entre Lula e Lara Resende. Três integrantes da equipe econômica afirmaram que existe tentativa de agendar uma reunião de Lula com economistas que possam trazer visões diferentes para a solução do problema fiscal, sem previsão formal. Economistas alinhados ao PT são contra a proposta e entendem que a divulgação da possibilidade de avaliação cria ruído, enquanto Edinho Silva falou em especulações e Gleisi Hoffmann qualificou o artigo como fundamental para enfrentar a ofensiva sobre a política fiscal. Gestores de grandes bancos ouvidos sob reserva relataram mal-estar com a ideia de tabelar a Selic e combinar políticas fiscais e monetárias sob um mesmo Conselho, descrevendo um cenário de terra arrasada para os ativos brasileiros. Eles leem a tese como diagnóstico correto e conclusão equivocada, argumentando que o juro alto é consequência da falta de credibilidade fiscal e que baixar a Selic por decisão política, sem âncora, equivaleria a dominância fiscal, com desancoragem de expectativas, volatilidade e perda da autonomia do Banco Central. Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, afirma que a "canetada" para forçar a queda da taxa já foi feita na história recente e teve efeito contrário ao pretendido, com inflação subindo ao teto em 2012, e que baixar juros agora levaria a mais depreciação cambial e mais inflação. Marcos Mendes, do Insper, afirma que a proposta pressupõe um ajuste fiscal estrutural, cuja dificuldade de realização é o cerne da questão.
FONTE ORIGINAL:
https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/11/proposta-de-lara-resende-para-limitar-selic-entra-no-radar-de-lula-e-assusta-mercado.shtml
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