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Lucro dos três maiores bancos privados soma R$ 22,6 bi no 3º trimestre, com alta anual de 2,4%

Publicado em: 04/11/2026 11:15
Lucro dos três maiores bancos privados soma R$ 22,6 bi no 3º trimestre, com alta anual de 2,4%
Os três maiores bancos privados de varejo do país — Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil — registraram lucro combinado de R$ 22,6 bilhões no terceiro trimestre, com crescimento de 2,4% na comparação anual e de 0,6% ante o trimestre imediatamente anterior. A temporada de balanços teve como tema central o aperto no bolso das famílias e no caixa das empresas, diante do ritmo lento de alívio dos juros, com a renda dos consumidores comprometida e menor espaço para honrar compromissos de crédito em dia. A deterioração apareceu em níveis distintos entre as instituições. O Santander enfrentou a pressão mais forte, com desafios em carteiras de agronegócio de baixa renda e lucro líquido 28% menor no comparativo anual, a R$ 2,9 bilhões, com retorno sobre patrimônio de 11,9%. O Bradesco registrou o 11º trimestre consecutivo de crescimento sequencial do lucro líquido, a R$ 7,1 bilhões, mas o ambiente macroeconômico restritivo retardou a melhora da rentabilidade e impôs revés na inadimplência, com retorno sobre patrimônio em 15,6%. O Itaú manteve-se como o mais resiliente do grupo, com lucro líquido de R$ 12,6 bilhões e retorno sobre patrimônio de 23,6%, sustentado por disciplina na gestão de risco e de custos. O apetite ao risco restrito também afetou as receitas com juros. Juntos, os três bancos registraram R$ 70,9 bilhões em margem financeira no trimestre, alta de 1,8% ante os três meses anteriores, após expansão de mais de 2% no período anterior. Para proteger os balanços, as instituições reduziram a exposição a linhas mais arriscadas e redirecionaram a preferência para modalidades com garantia: o crédito pessoal direto (CDC) e o cartão de crédito para faixas menores de renda cederam espaço para empréstimos imobiliários e consignado. A rotação tende a diluir os indicadores de calote ao longo dos meses, mas comprime a margem financeira, ao reduzir operações com spreads estruturalmente mais baixos. No Santander, a margem amargou queda de 4,2% em 12 meses, a R$ 15,8 bilhões, no contexto de um processo de rebalanceamento de carteira; a tesouraria também apresentou sensibilidade elevada às oscilações dos juros, com saldo negativo de R$ 895 milhões na margem com o mercado. O Bradesco relatou margem financeira de R$ 21,4 bilhões, alta de 2,4% no comparativo anual, com mix mais conservador e apetite moderado na originação, e apontou provisões caminhando para a faixa inferior do guidance de R$ 42 bilhões a R$ 48 bilhões. O Itaú elevou a exposição a operações de spread mais baixo — o que retirou R$ 400 milhões das receitas com juros — e registrou margem financeira de R$ 34,6 bilhões, alta de 7,8% no ano, com perspectiva de desaceleração nos próximos meses.
FONTE ORIGINAL:
https://www.estadao.com.br/economia/negocios/lucro-maiores-bancos-privados-terceiro-trimestre-2026
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