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Encolhimento do crédito rural e escalada de dívidas problemáticas ameaçam a safra 2026/27, aponta Farsul
Publicado em: 05/11/2026 15:58
As contratações de crédito rural no Brasil somaram R$ 327,72 bilhões nos 12 meses encerrados em setembro de 2026, retração de 10,81% no comparativo anual e de 22,41% frente ao pico de abril de 2024. No mesmo período, a carteira de crédito problemática alcançou R$ 207,47 bilhões em julho de 2026, equivalente a 23,46% do saldo total de financiamento agropecuário. Os dados constam de nota técnica da Assessoria Econômica da Farsul, que descreve um quadro de crise de liquidez e sustentabilidade financeira com impacto direto no planejamento da safra 2026/27, associado a juros elevados, retração de recursos livres e elevação do risco de inadimplência no setor primário. O trimestre de julho a setembro, período de concentração das operações de custeio para soja e milho, registrou R$ 87,79 bilhões contratados em 2026, queda de 22,65% em relação a 2025 e de 46,55% ante 2023 — o terceiro ano consecutivo de redução, com patamares nominais inferiores aos de 2021. A manutenção da Selic em 13,75% ao ano elevara o custo do capital e desestimulado a tomada de recursos não controlados, levando instituições financeiras a racionar a oferta de crédito em vez de apenas ajustar preços. A redução não foi uniforme: o Pronaf cresceu 6,88% no acumulado de 12 meses (R$ 71,56 bilhões), o Pronamp manteve estabilidade (R$ 55,61 bilhões), enquanto produtores não enquadrados nos programas recuaram 18,18% e médios e grandes produtores dependentes de taxas livres tiveram retração de 54,9% no trimestre de plantio. O custeio, que responde por cerca de 52% do crédito rural contratado, foi o principal ponto de compressão: na soja, o volume do trimestre de plantio caiu de R$ 36,72 bilhões em 2023 para R$ 14,05 bilhões em 2026, reduzindo a área financiada por crédito formal de 8,03 milhões para 2,95 milhões de hectares, diante da projeção da Conab de 49,3 milhões de hectares cultivados. A carteira ruralícola total atingiu R$ 884,21 bilhões em julho de 2026, avanço de 26,6% desde dezembro de 2023, dos quais 91,22% decorreram da expansão das operações problemáticas. Débitos com atraso superior a 90 dias subiram de R$ 15,65 bilhões para R$ 45,71 bilhões em um ano, e o Rio Grande do Sul concentra R$ 44,89 bilhões em dívidas problemáticas, equivalentes a 41,17% da carteira estadual e a cerca de 21,6% do passivo em liquidação duvidosa do agronegócio nacional. No plano regulatório, a Medida Provisória 1.376/2026 abriu janela extraordinária de renegociação de passivos rurais, com encerramento previsto para 12 de novembro de 2026. Até 30 de outubro, o instrumento gerou R$ 18,60 bilhões em novas operações, com taxa média de juros de 9,63% ao ano e prazo médio de quitação de 8,56 anos, montante equivalente a 8,99% da carteira problemática nacional; no Rio Grande do Sul, R$ 7,78 bilhões foram alocados via medida, permanecendo cerca de 82,6% do passivo estadual em dificuldade sem alternativa de repactuação. Entidades do setor produtivo defendem prorrogação e expansão da medida, com inclusão de operações registradas por Cédulas de Produto Rural; padronização de critérios de repactuação entre bancos públicos e privados; vinculação dos benefícios à capacidade de geração de caixa dos empreendimentos; recomposição das linhas de custeio para Pronamp e produtores de médio e grande porte; e transparência com divulgação mensal de dados por estado e por instituição financeira. A análise das bases do Sicor e da Matriz de Dados do Crédito Rural do Banco Central indica que a persistência do ciclo de restrição monetária tende a retroalimentar a inadimplência e a restringir ainda mais a concessão de novo capital para ciclos agrícolas subsequentes.
FONTE ORIGINAL:
https://brasilinovador.com.br/encolhimento-do-credito-rural-e-escalada-de-dividas-problematicas-ameacam-a-safra-2026-27-aponta-farsul
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