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Banco do Brasil é desafio para novo governo Lula em meio à inadimplência no agronegócio

Publicado em: 05/11/2026 08:53
Banco do Brasil é desafio para novo governo Lula em meio à inadimplência no agronegócio
O Banco do Brasil está entre as prioridades do novo governo Lula após a vitória do presidente nas eleições, e uma das alternativas apontadas para a instituição controlada pelo Estado pode envolver o braço de seguros. Entre as prioridades declaradas está encontrar uma solução para o banco, que enfrenta dificuldades. Segundo pessoas familiarizadas com o assunto, a prioridade do Banco do Brasil é enfrentar o aumento da inadimplência em sua carteira de crédito ao agronegócio. A BB Seguridade, holding de capital aberto controlada pelo banco, possui subsidiárias que utilizam a rede de distribuição do BB para vender seguros. Os contratos de compartilhamento de receitas que regem essa relação vencem entre 2031 e 2033, e investidores avaliam a possibilidade de uma renegociação antecipada em condições mais favoráveis ao banco. Nenhuma negociação está em andamento neste momento, segundo as mesmas fontes. Gustavo Schroden, analista do Citi, recomenda a venda das ações da BB Seguridade e argumenta que esse seria o primeiro lugar ao qual o banco recorreria para reforçar seu capital, seja vendendo parte de sua participação, seja revisando os contratos de compartilhamento de receitas. O capital principal (Common Equity Tier 1) do banco estava acima do patamar de 11% que a instituição afirmou pretender manter. Em paralelo, uma parcela crescente do patrimônio líquido do BB é composta por créditos fiscais, considerados de qualidade inferior por não estarem imediatamente disponíveis para uso. Segundo um relatório do Goldman Sachs, esse percentual subiu para 53% no segundo trimestre, ante 37% quatro anos antes. Os bancos no Brasil têm um prazo de 10 anos para eliminar esse tipo de ativo acumulado antes de 2024; caso não consigam gerar lucro suficiente para isso, deverão deduzir o valor desses ativos diretamente do patrimônio líquido. O banco também renegociou os pagamentos de um instrumento híbrido de capital e dívida de R$ 4,2 bilhões devido ao governo, adiando a maior parte desses pagamentos para 2029. O Banco do Brasil é o maior financiador do agronegócio no Brasil, setor que enfrenta um aumento da inadimplência enquanto as margens dos produtores rurais permanecem comprimidas. Um programa governamental para aliviar as dívidas dos produtores rurais teve adesão menor do que o esperado, segundo relatório de outubro do BTG Pactual. As estimativas de lucro do banco para o terceiro trimestre caíram cerca de 23% nas últimas semanas, chegando a R$ 3,3 bilhões, segundo analistas acompanhados pela Bloomberg, e a taxa de pagamentos em dia permaneceu em 75%, abaixo dos 90% projetados pelo banco para o segundo semestre — situação que, conforme nota do BTG, levanta a possibilidade de um aumento no custo do crédito. No mercado, as ações do Banco do Brasil acumulam queda de 24,8% no ano, o pior desempenho entre os maiores bancos brasileiros, enquanto as ações da BB Seguridade acumulam alta de 4,4%. No dia seguinte à eleição presidencial, as ações do banco caíram 29%, a maior queda em pelo menos 32 anos. O Citi rebaixou sua recomendação das ações para venda, afirmando que os aumentos esperados nas taxas de juros poderiam dificultar ainda mais a capacidade do banco de gerar receita. O lucro líquido ajustado do banco no primeiro semestre de 2026 foi de R$ 7,34 bilhões, queda de 34% em relação ao mesmo período de 2025. A troca na presidência do banco e o início de qualquer discussão envolvendo a BB Seguridade dependeriam de decisão do presidente sobre mudanças na administração da instituição, segundo o texto. Restrições implementadas na última década limitaram os mecanismos pelos quais o governo poderia injetar recursos no banco, e sua participação acionária majoritária deixa pouco espaço para diluição sem riscar o controle. Alexandre Albuquerque, analista da Moody's, afirmou que as dificuldades fiscais do governo tornam mais difícil uma nova injeção de capital e que a administração do banco já sinalizou ao mercado que não descarta a venda de ativos. O governo brasileiro detém pouco mais de 50% do Banco do Brasil, o segundo maior banco da América Latina em ativos.
FONTE ORIGINAL:
https://www.bloomberglinea.com.br/2026/11/05/banco-do-brasil-e-desafio-para-novo-governo-lula-em-meio-a-inadimplencia-no-agronegocio
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