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BaaS enfrenta pressão por rentabilidade com novas regras

Publicado em: 05/11/2026 07:00
BaaS enfrenta pressão por rentabilidade com novas regras
O crescimento do mercado de Banking as a Service (BaaS) no Brasil enfrenta o desafio de transformar a demanda por serviços integrados em negócios rentáveis, diante de exigências regulatórias mais rigorosas, custos operacionais elevados e a necessidade de investimentos em tecnologia e governança. A Associação Brasileira de Banking as a Service (ABBaaS) projeta que o número de provedores, estimado em mais de 100, poderá cair para aproximadamente 40 até o fim de 2026. Segundo Victor Papi, general manager da Transfeera, a redução não significa necessariamente uma retração do mercado, mas uma mudança na forma como as empresas utilizam a infraestrutura financeira: "Vai ter menos gente oferecendo e mais gente usando". A consolidação ocorre em meio à expansão global do segmento: a consultoria Fortune Business Insights estimou o mercado de BaaS em US$ 22,68 bilhões em 2025, com projeção de US$ 108,03 bilhões até 2034 e crescimento médio anual de 19,2% entre 2026 e 2034. No Brasil, estimativas da TOTVS apontam para um mercado potencial de até US$ 10 bilhões em 2030. A demanda mudou de perfil: em vez de bancos digitais criados para públicos específicos, empresas como redes de franquias, marketplaces e plataformas de tecnologia passaram a incorporar contas, pagamentos e recebimentos à sua operação para reduzir custos e organizar fluxos financeiros. Para Cleiton Tech, gerente comercial da Grafeno, "banco digital não é produto, é meio", e a operação não fecha se depender apenas de tarifa de conta ou fee de transação sem uma tese forte de crédito ou um ecossistema B2B consolidado. A transformação ganhou força com a Resolução Conjunta nº 16, publicada pelo Banco Central e pelo Conselho Monetário Nacional em novembro de 2025, que estabeleceu regras específicas para a prestação de BaaS, com exigências de governança, transparência, controles internos e responsabilidades das instituições envolvidas. Pelo novo modelo, a instituição regulada permanece responsável pela prestação dos serviços financeiros, mesmo quando disponibilizados por empresa contratante, e a norma também estabelece requisitos de identificação dos participantes, limita determinadas estruturas de contratação e disciplina a cobrança de tarifas. Um estudo da Tendências Consultoria para a ABBaaS indica, segundo Papi, que mais de 75% dos contratos de BaaS precisarão passar por revisão, e provedores de maior porte estimam que os custos para clientes poderão aumentar até 5%. A pressão se estende às exigências de capital regulatório. A Resolução Conjunta nº 14, também publicada em novembro de 2025, definiu uma nova metodologia de cálculo do capital mínimo para instituições autorizadas pelo Banco Central, considerando as atividades efetivamente exercidas e os riscos associados às operações. Papi afirma que, no caso de uma instituição de pagamento como a Transfeera, a exigência de capital, anteriormente de R$ 2 milhões, poderá se aproximar de R$ 11 milhões, considerando o período de transição até 2028 — estimativa do executivo, já que o capital necessário depende das características e atividades de cada instituição. Para empresas menores, ampliar capital e investir em controles pode comprometer a viabilidade financeira, enquanto provedores com maior capacidade de investimento tendem a absorver melhor os custos de adequação. Além da rentabilidade, a expansão do BaaS trouxe maior atenção aos riscos relacionados à administração de recursos de terceiros. Papi cita o caso da americana Synapse, que entrou com pedido de recuperação judicial em 2024 após problemas na conciliação de registros entre a plataforma e bancos parceiros, com déficit estimado em aproximadamente US$ 85 milhões. No Brasil, ele menciona a Operação Fluxo Oculto, que identificou seis fintechs suspeitas de atuar como estruturas financeiras paralelas, com movimentações superiores a R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025, envolvendo contas agregadas e mecanismos que dificultavam a identificação dos beneficiários dos recursos — suspeitas que não se confundem com a prestação regular de BaaS, mas evidenciam a importância da rastreabilidade das transações. Para Papi, a combinação de fiscalização mais rigorosa e custos crescentes deverá favorecer empresas capazes de demonstrar solidez operacional. O artigo também aponta oportunidades em segmentos ligados ao financiamento de negócios e à administração de operações de crédito. Fundos de direitos creditórios (FIDCs), securitizadoras, factorings e plataformas de gestão financeira apresentam, segundo Tech, maior potencial de utilização do BaaS: a infraestrutura tecnológica integra etapas desde a emissão de instrumentos de crédito até a liquidação de pagamentos e o controle de garantias, automatizando processos relacionados a Cédulas de Crédito Bancário (CCBs), Cédulas de Produto Rural (CPRs) e notas comerciais. Tech afirma que empresas de crédito estruturado conseguiram reduzir para minutos o tempo de liquidação de determinadas operações por meio de APIs. Para Tech, manter uma operação de BaaS "é um jogo de disciplina financeira: exige absorver custos fixos e regulatórios relevantes antes que a escala transacional e a receita de crédito tragam retorno". O desafio dos próximos anos será conciliar o crescimento da oferta de serviços financeiros integrados com a capacidade de manter controles, capital e resultados compatíveis com a complexidade dessas operações. Papi avalia que a expansão tecnológica já demonstrou seu potencial, mas a sustentabilidade do modelo dependerá de um requisito cada vez mais decisivo: "o setor já provou que consegue levar serviço financeiro para dentro do dia a dia das pessoas. Agora precisa provar que consegue fazer isso com segurança".
FONTE ORIGINAL:
https://capitalaberto.com.br/regulacao/2026/11/baa-s-enfrenta-pressao-por-rentabilidade-com-novas-regras
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