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Como a queda do banco Ueno no Paraguai selou o fim do governo de Santiago Peña
Publicado em: 06/11/2026 17:03
A queda do Ueno Bank no Paraguai teve repercussão política e econômica direta. O Banco Central do Paraguai anunciou o fechamento do banco digital, alegando falta de liquidez, em um contexto em que cerca de 2,9 milhões de correntistas — entre eles 32 mil aposentados — ficaram sem acesso a seus depósitos, e 800 milhões de dólares de fundos públicos estavam depositados na instituição. O Ministério Público emitiu prisões contra diretores do banco e do Grupo Vásquez por gestão fraudulenta em crise e quebra de confiança, a partir de denúncia do BCP. Entre os alvos está Federico Miguel Vázquez, primeiro vice-presidente do Ueno e controlador de um conglomerado de ao menos 28 empresas apontadas como parte de um suposto esquema de captação e golpes. O processo atingiu a cúpula política, com pedido de impeachment, renúncia do presidente Santiago Peña e novo indiciamento no Ministério Público de Crimes Econômicos. A reportagem descreve um arranjo estrutural de concentração de recursos: empréstimos milionários do banco a empresas do próprio grupo, sem garantias e acima da capacidade de pagamento, liquidadas de forma circular por meio de firmas como a ITTI e a processadora Red Digital, muitas vezes com novos cheques especiais do próprio Ueno. Segundo a denúncia, o banco ocultou do fiscalizador o estouro dos limites de crédito a partes relacionadas e, pressionado, vendeu carteira de 74,4 milhões de dólares a empresa vinculada, cuja origem dos recursos remeteria ao próprio banco. O texto aponta instrumentos de captura de fundos públicos e de flexibilização regulatória associados ao crescimento acelérado do grupo: redução de exigências do Instituto de Previdência Social para depósitos em bancos, eliminação de teto de exposição em um único banco (com Ueno recebendo cerca de 350 milhões de dólares do fundo de aposentadorias), alteração da lei de conflitos de interesses e ampla participação em licitações. A estrutura societária do banco remete a holding em Luxemburgo com participação de acionistas estrangeiros. No risco de crédito e recuperação de ativos, o caso expõe exposição a partes relacionadas, obscurecimento de limites regulatórios, uso de carteiras vendidas a vinculadas para burlar pressão da fiscalização e bloqueios judiciais sobre bens. O Ministério Público estima saldo a receber de cerca de 167 milhões de dólares e 343 bilhões de guaranis, com baixa expectativa de recuperação, o que coloca em risco depósitos de correntistas e recursos públicos. O governo recorre ao fundo de garantias para restituir contas de até 75 salários mínimos, e o fecho do banco gera efeitos de emprego sobre milhares de trabalhadores do grupo e das empresas vinculadas, no país e no exterior.
FONTE ORIGINAL:
https://www.agencialupa.org/explicador/2026/11/06/como-a-queda-do-banco-ueno-no-paraguai-selou-o-fim-do-governo-de-santiago-pena
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