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Data centers devem ganhar espaço no mercado de dívida, avalia ABC Brasil

Publicado em: 06/11/2026 12:57
Data centers devem ganhar espaço no mercado de dívida, avalia ABC Brasil
A expansão dos data centers no Brasil deve aumentar a demanda por financiamento no mercado de capitais, com as empresas do setor ganhando espaço nas emissões de dívida quando houver recuperação das ofertas, avalia a pesquisa do Banco ABC Brasil. O levantamento indica que as debêntures já são uma das principais fontes de financiamento das companhias do segmento, ao lado de empréstimos e recursos dos acionistas, e que o mercado primário de dívida ainda segue lento no ano. O estudo mostra a concentração do funding em títulos de renda fixa: em 2025, as debêntures representavam 87% da estrutura de financiamento da Elea Digital, 73% da Ascenty e 56% da Scala Data Centers, considerando a soma de debêntures, outros passivos financeiros e patrimônio líquido. Embora as receitas sejam predominantemente vinculadas ao dólar, boa parte das dívidas é emitida em reais e remunerada pelo CDI, com uso de derivativos para reduzir a exposição cambial e às taxas de juros. Entre os pontos de atenção apontados para financiadores estão o baixo volume de negociação desses títulos no mercado secundário, o que sugere permanência nas carteiras dos bancos coordenadores das ofertas, e a presença de garantias como ações, equipamentos e recebíveis de contratos. Os contratos de longo prazo com grandes empresas de tecnologia, em geral superiores a dez anos, preveem pagamentos mesmo quando a infraestrutura contratada não é integralmente utilizada, o que reduz o risco de vacância e dá estabilidade às receitas destinadas ao pagamento das dívidas; em contraponto, investimentos elevados e prazos de construção aumentam a exposição a atrasos e custos adicionais. O principal obstáculo identificado é a disponibilidade de energia elétrica. Os pedidos de acesso à rede de transmissão ligados a projetos de data centers somam 26,3 GW, capacidade equivalente a cerca de um quarto do pico de demanda de eletricidade do país, mas cerca de 59% da capacidade examinada em processos recentes pelo ONS foi considerada inviável ou condicionada à ampliação da infraestrutura de transmissão. A diferença entre prazos de construção e de conexão cria risco adicional para financiadores: a construção de um data center de 50 MW leva aproximadamente 18 meses, enquanto a aprovação e implantação da conexão elétrica podem exigir de três a quatro anos, o que pode levar uma empresa a concluir as instalações sem condições de iniciar a operação, acumulando investimentos sem geração de receita. A escassez de capacidade elétrica em regiões procuradas, especialmente Barueri, tem levado empresas a buscar áreas no interior paulista, como Campinas, Jundiaí e Sumaré, e projetos de treinamento de modelos de inteligência artificial podem favorecer investimentos em regiões com maior disponibilidade de energia renovável, como o Nordeste.
FONTE ORIGINAL:
https://valor.globo.com/financas/noticia/2026/11/06/data-centers-devem-ganhar-espao-no-mercado-de-dvida-avalia-abc-brasil.ghtml
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