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Menos crescimento, mais inflação, Selic meio parada: o que o Bradesco espera para 2027
Publicado em: 06/11/2026 09:42
O Bradesco revisou seu cenário econômico para 2027 e passou a projetar uma combinação mais desafiadora para a economia brasileira: crescimento próximo da estagnação, inflação mais alta e menos espaço para cortes de juros. Em relatório divulgado na sexta-feira (6), o banco reduziu a projeção de avanço do PIB de 1% para 0,4% e elevou a estimativa do IPCA de 4,1% para 5,3%. A trajetória da Selic também foi ajustada: a taxa deve encerrar 2027 em 12,75%, ante 11% previstos anteriormente, com a retomada dos cortes apenas no segundo semestre. Para 2026, o banco também reduziu a previsão de crescimento, de 1,7% para 1,5%, e elevou a estimativa de inflação, de 4,9% para 5,5%. A projeção para o fechamento da Selic neste ano subiu de 13,25% para 13,75%. O relatório aponta sinais de desaceleração na atividade mesmo com os estímulos adotados ao longo de 2026: o crescimento de 0,5% do PIB no segundo trimestre veio acompanhado de queda de 0,4% no consumo das famílias, e os indicadores acompanhados pela instituição apontam para contração de 0,2% no terceiro trimestre. Para 2027, a instituição vê poucos motores domésticos capazes de reverter o quadro, com juros elevados por mais tempo limitando investimentos e consumo, crédito perdendo força e mercado de trabalho desacelerando. A projeção da taxa média de desemprego no próximo ano subiu de 6,1% para 6,4%. Apesar da perda de fôlego do PIB, o banco vê choques capazes de manter os preços pressionados em 2027, entre eles efeitos da inflação de 2026 sobre reajustes seguintes, desvalorização do real e elevação dos preços domésticos dos combustíveis. O dólar passou a ser projetado em R$ 5,50 no fechamento de 2026 e de 2027, ante R$ 5 e R$ 5,20 anteriormente. Considerando diferentes combinações de choques, o IPCA de 2027 pode oscilar entre 4,5% e 6,7%, com projeção central de 5,3%. Na leitura do banco, a Selic deve permanecer em 13,75% durante todo o primeiro semestre de 2027, com quatro cortes de 0,25 ponto percentual na segunda metade do ano, levando a taxa a 12,75% em dezembro, quando a desaceleração da atividade e a estabilidade do câmbio abririam espaço para os cortes. No campo fiscal, o Bradesco espera déficit primário efetivo próximo de 0,1% do PIB em 2027 e elevou a previsão de dívida bruta de 88,2% para 88,7% do PIB. Medidas que deem credibilidade à busca pelo centro da meta fiscal, como revisão de benefícios tributários e ajustes nas regras de crescimento dos gastos obrigatórios, poderiam ajudar a estabilizar ou valorizar o real e permitir cortes mais intensos da Selic, segundo o relatório.
FONTE ORIGINAL:
https://www.moneytimes.com.br/selic-em-1275-para-2027-bradesco-ajusta-cenario-economico-para-o-proximo-ano-veja-projecoes-jcav
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