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Crise do Ueno pode consumir mais da metade do fundo garantidor do Paraguai
Publicado em: 06/11/2026 03:11
A crise do Ueno Bank, no Paraguai, pode consumir mais da metade dos recursos do FGD (Fundo de Garantia de Depósitos) do país. Segundo balanços oficiais referentes a setembro de 2026, os depósitos garantidos do Ueno somavam 5,08 trilhões de guaranis, cerca de 53% dos 9,54 trilhões de guaranis administrados pelo fundo no mesmo mês. O cálculo parte do pagamento integral dos valores protegidos, mas não corresponde necessariamente ao custo final da operação de garantia. O pagamento será feito em etapas, com a primeira leva iniciada em quinta-feira (5), limitada a clientes com depósitos de até 10 milhões de guaranis, sem dívidas com o Ueno e com contas em outras instituições financeiras do país. A cobertura por depositante no Paraguai chega a 228,3 milhões de guaranis, o equivalente a cerca de R$ 203 mil. Segundo estimativa preliminar do Banco Central do Paraguai, 97% dos depositantes teriam direito à recuperação integral, enquanto apenas 30% dos depósitos do banco estavam cobertos pelo fundo — diferença explicada pela concentração de saldos acima do limite legal de garantia. Em setembro, o Ueno tinha 2,8 milhões de depositantes e concentrava aproximadamente 10% dos depósitos do sistema bancário paraguaio, sendo o quinto maior banco em operação no país em volume de dinheiro. Recursos acima do limite da garantia não têm ressarcimento assegurado e dependem da condução da resolução. O regulador poderá transferir depósitos e ativos a outras instituições ou utilizar diretamente recursos do FGD para pagar clientes, conforme o menor custo. A Moody's considera a resolução do Ueno um teste importante para o sistema financeiro paraguaio, avalia o risco de contágio como administrável e alerta para possíveis atrasos ou perdas de empresas e grandes depositantes. Diferentemente do FGC brasileiro, que é entidade privada, o FGD é administrado diretamente pelo Banco Central do Paraguai, com patrimônio e contabilidade apartados da autoridade monetária. Criado em 2003 com financiamento público e privado, recebe aporte inicial do governo em títulos públicos e contribuições obrigatórias de 0,12% dos depósitos médios trimestrais das instituições financeiras. A cobertura inclui contas correntes, poupança, depósitos em dólar e CDA, modalidade semelhante ao CDB brasileiro. Havendo insuficiência de recursos, a legislação prevê mecanismos de financiamento público, incluindo emissão de títulos lastreados em contribuições futuras do setor bancário. Diante da crise, o Banco Central do Paraguai aprovou nova regulamentação para o pagamento das garantias do FGD, permitindo depósito direto em contas dos clientes em outras instituições e abertura automática de conta para quem não tiver outro banco. Os pagamentos serão feitos em guaranis, inclusive para depósitos em moeda estrangeira, pela cotação da data da resolução. Ainda não há valor definitivo para o custo da operação nem estimativa oficial de recuperação com os ativos do banco, e a resolução poderá exigir novas contribuições das instituições financeiras para recompor os recursos utilizados.
FONTE ORIGINAL:
https://www.cnnbrasil.com.br/blogs/gabriel-monteiro/economia/money/macroeconomia/crise-do-ueno-pode-consumir-mais-da-metade-do-fundo-garantidor-do-paraguai
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