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Crise no Paraguai expôs regulação bancária frágil
Publicado em: 06/11/2026 00:10
A corrida bancária provocada pelo colapso do Ueno Bank, maior banco digital do Paraguai, avançou para o Congresso do país: a renúncia do presidente Santiago Peña não foi aceita e a Câmara aprovou processo de impeachment. O Banco Central assumiu o controle do Ueno, a Procuradoria emitiu mandados de prisão contra executivos e 3 milhões de correntistas ficaram sem acesso às contas. Apesar da existência de fundo de garantia de depósitos, o BC limitou saques, medida que gerou pânico entre correntistas. O texto relata indícios de relações suspeitas entre o governo e o banco: Peña teria sido acionista do Ueno, e Carlos Carvallo, nomeado para chefiar o BC, presidia o banco desde a fundação, tendo obtido licença bancária dois meses depois. Na gestão Peña, o Ueno recebeu US$ 850 milhões em depósitos públicos, além de recursos de fundos estatais de Previdência, saúde e hidrelétricas. Fiscais do BC identificavam empréstimos arriscados a companhias ligadas aos proprietários e despesas registradas indevidamente como ativos nos balanços. O editorial compara o episódio com o escândalo do Banco Master no Brasil, destacando diferenças de escala, de impacto econômico e de cobertura de garantia de depósitos. No Paraguai, o Ueno afirmava ter 60% dos adultos como correntistas; o rombo apurado já supera 1% do PIB, ante cerca de 0,58% no Brasil. A cobertura assegurada pelo FGC no Brasil é maior do que a do BC paraguaio, o que, segundo o texto, ajuda a explicar por que não houve corrida bancária no caso brasileiro. São apontadas semelhanças entre os dois casos: aliciamento de autoridades, compra de influência, má gestão de recursos públicos e corrupção. O texto conclui que, em ambos os países, o desafio é fechar as brechas que permitiram fraudes e desvios.
FONTE ORIGINAL:
https://oglobo.globo.com/google/amp/opiniao/editorial/coluna/2026/11/crise-no-paraguai-expos-regulacao-bancaria-fragil.ghtml
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