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Brasil corre risco de recessão em 2027? Veja o que dizem economistas e os sinais da economia

Publicado em: 07/11/2026 08:05
Brasil corre risco de recessão em 2027? Veja o que dizem economistas e os sinais da economia
A avaliação de economistas e instituições financeiras aponta aumento do risco de recessão no Brasil em 2027, associado à desaceleração da atividade, aos juros elevados e à piora das expectativas para as contas públicas após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ainda assim, a recessão não é o cenário base do mercado: o relatório Focus, divulgado pelo Banco Central em 3 de novembro, reduziu a projeção mediana de crescimento do PIB para 2027 de 1,31% para 1,20%, mantendo expectativa de expansão em ritmo mais fraco. Os indicadores recentes sustentam a preocupação. O PIB cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, mas o consumo das famílias recuou 0,4% no período, segundo o IBGE. Em setembro, a produção industrial cedeu 0,8%, e os índices PMI apontaram retração da indústria e dos serviços em outubro. O cenário ocorre enquanto o Copom mantém a Selic em 13,75% ao ano, com a interrupção do ciclo de cortes reforçando dúvidas sobre a recuperação em 2027. Para economistas ouvidos pela publicação, o principal risco é a combinação de uma economia já enfraquecida com a necessidade de manter juros altos por mais tempo. Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, avalia que a piora das expectativas para inflação, câmbio e juros tornou mais difícil a continuidade dos cortes, e cita comprometimento elevado da renda dos consumidores e problemas de inadimplência. José Camargo, da Genial Investimentos, considera elevado o risco de contração caso se repita a orientação fiscal do mandato anterior, projetando queda de 0,2% do PIB no terceiro trimestre de 2026 e estabilidade no quarto. A preocupação aparece também entre bancos. O presidente-executivo do Itaú Unibanco, Milton Maluhy, afirmou que as condições econômicas para 2027 estão piores, citando revisões de projeção para o PIB, possível aumento do desemprego e juros restritivos por período mais prolongado. Segundo ele, as famílias já apresentam comprometimento elevado da renda, as empresas precisam refinanciar dívidas em condições mais caras, e a incerteza econômica reduziu a demanda por crédito, especialmente entre grandes companhias, que adiam investimentos e buscam empréstimos com prazos mais curtos. Maluhy afirmou que o banco está preparado para cenário adverso por meio da diversificação da carteira, da disciplina na concessão e do volume de provisões. Gestores de investimento também registram cautela. Marcus Codeceira, da Yards Asset, aponta o custo do crédito e o aumento das recuperações judiciais, especialmente entre companhias mais endividadas, como fatores de preocupação, com impacto já observado no agronegócio e maior atenção dos credores. O Safra adotou premissas mais conservadoras para lucros e taxas de desconto mais elevadas, descrevendo ambiente de crédito mais difícil, com demanda enfraquecida, aumento dos riscos de inadimplência e menor capacidade de compensar perdas, além de atenção ao vencimento dos períodos de carência de empréstimos a pequenas e médias empresas com garantias governamentais, o que pode exigir maior volume de provisões. A instituição rebaixou recomendações e preços-alvo para Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Nubank, ressaltando que a revisão não significa considerar a recessão inevitável. As contas públicas aparecem como variável central para definir se a economia terá apenas crescimento mais fraco ou contração mais intensa em 2027. Os economistas entrevistados vinculam a percepção dos investidores sobre a estabilização da dívida ao comportamento do câmbio e dos juros de longo prazo, e avaliam que a recuperação da credibilidade fiscal depende de medidas concretas, não apenas de metas. A trajetória do PIB no segundo semestre de 2026, as condições do crédito, a inflação e as primeiras medidas econômicas do novo mandato são os principais indicadores acompanhados para avaliar se a desaceleração pode se transformar em recessão em 2027.
FONTE ORIGINAL:
https://exame.com/economia/brasil-corre-risco-de-recessao-em-2027-veja-o-que-dizem-economistas-e-os-sinais-da-economia
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