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Crédito em atraso atinge recorde de R$ 247,6 bi no 1º quadrimestre de 2026

Data de Adição: 2026-07-09
O crédito em atraso no Brasil alcançou R$ 247,6 bilhões no primeiro quadrimestre de 2026, o maior volume desde o início da série histórica do Banco Central, em 2004. O dado, apurado pela Fecomercio-SP com base em informações do BC, considera débitos com mais de 90 dias de inadimplência no sistema financeiro, já descontado o efeito da inflação. O estoque cresceu 50,7% em relação ao mesmo período de 2025, quando somava R$ 164,3 bilhões — variação de R$ 83,3 bilhões em 12 meses, equivalente a praticamente todo o crédito em atraso do país em 2018. A deterioração da inadimplência é atribuída pela Fecomercio-SP à combinação de Selic elevada, inflação pressionada por fatores externos — como os reflexos da guerra no Irã sobre combustíveis e alimentos — e ao crescimento das apostas esportivas on-line, que passaram a disputar espaço no orçamento das famílias. O endividamento também se reflete na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic): em maio de 2026, 74,2% das famílias da capital paulista estavam endividadas, o maior nível em quatro anos. O avanço da inadimplência é disseminado e atinge diferentes modalidades — financiamento imobiliário, crédito consignado, empréstimo pessoal e rotativo do cartão de crédito —, o que, segundo a entidade, indica que o problema não está restrito a um perfil de risco específico. A maior oferta de crédito também não explica o movimento: nos dez Estados com maiores volumes de débitos atrasados, o crédito concedido cresceu entre 3% e 13%, enquanto a proporção de dívidas não quitadas avançou entre 43% e 87%. Todos os 27 Estados registraram recorde no volume de crédito em atraso. A maior variação regional foi no Centro-Oeste (69,3%), seguida por Sul (66,1%), Norte (62,7%), Nordeste (47,4%) e Sudeste (37,9%). Entre os Estados, Tocantins liderou com alta de 105%, seguido por Rio Grande do Sul (95,7%) e Maranhão (93,5%). Os Estados com maior crescimento têm dependência significativa da agropecuária, cuja queda de rentabilidade expõe as famílias a oscilações no custo de vida. São Paulo respondeu por 22,2% do total nacional, com crescimento de 36,8%, abaixo da média. Em quatro Estados — Tocantins, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Rio Grande do Sul —, a relação entre crédito em atraso e volume total de crédito atingiu o maior nível da série histórica. Para 26 das 27 unidades da federação, a taxa de inadimplência é a mais alta do período pós-pandemia. A Fecomercio-SP avalia que programas de renegociação como o Desenrola Brasil têm efeito temporário e que a redução consistente da inadimplência depende de ajustes estruturais, como o controle das contas públicas, para queda sustentável dos juros e da inflação.
FONTE ORIGINAL:
https://www.poder360.com.br/poder-economia/credito-em-atraso-atinge-recorde-de-r-2476-bi-no-1o-quadrimestre-de-2026/
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