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Inadimplência segue em 4,7% e desafia renegociações do Desenrola 2.0
Publicado em: 30/07/2026 18:01
A taxa média de inadimplência nas operações de crédito do sistema financeiro brasileiro permaneceu em 4,7% em junho, repetindo o índice de maio e mantendo-se no maior patamar da série histórica do Banco Central, iniciada em 2011. O indicador considera operações com atraso superior a 90 dias, de pessoas físicas e empresas. No recorte por segmento, a inadimplência das pessoas físicas ficou em 5,6%, enquanto a das empresas alcançou 3,2%, o maior nível desde novembro de 2017. No crédito livre, que inclui cheque especial, cartão de crédito e crédito pessoal, a inadimplência das famílias também se manteve em 7,6%, outro recorde histórico. Em 12 meses, a inadimplência total subiu um ponto percentual. Lançado em maio, o Desenrola 2.0 movimentou R$ 44,7 bilhões em crédito renegociado em menos de três meses, montante equivalente a 84% do total da primeira edição. O governo federal prorrogou o prazo do programa até agosto. Apesar do volume, os dados não mostram recuo da inadimplência, indicando que novos atrasos continuam a surgir em ritmo equivalente ou superior ao das renegociações. Levantamento da Serasa apontou que o Brasil ganhou 9 milhões de inadimplentes desde o fim da primeira edição do Desenrola, em maio de 2024, totalizando 81,7 milhões de pessoas com contas em atraso em fevereiro de 2026. Dados do Banco Central mostram ainda que a inadimplência da carteira de crédito total das pessoas físicas chegou a 5,24% no início do ano, a maior em 14 anos, e o volume de crédito em atraso há mais de 90 dias atingiu R$ 247,6 bilhões no primeiro quadrimestre de 2026. Especialistas atribuem a escalada a fatores como a alta da taxa Selic, que subiu de 10,50% para 14,25% ou 14,75% ao ano, encarecendo o crédito e dificultando o pagamento de dívidas já contraídas. A expansão do crédito digital e o crescimento das apostas online também são citados como agravantes. A avaliação predominante é que programas de renegociação atacam os sintomas, mas não as causas estruturais do superendividamento.
FONTE ORIGINAL:
https://ver-o-fato.com.br/calote-recorde-resiste-a-renegociacoes-e-vira-dor-de-cabeca-eleitoral-para-o-governo/
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