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Bancos e fintechs têm até 31/12 para comprovar qualidade de dados ao BC
Publicado em: 03/08/2026 13:27
O Banco Central (BC) deu prazo até 31 de dezembro de 2026 para que bancos, fintechs, cooperativas e instituições de pagamento comprovem a qualidade das informações enviadas ao regulador. A Resolução Conjunta nº 18, aprovada em novembro de 2025, instituiu a Política de Qualidade das Informações e exige que cada dado reportado tenha origem identificada, histórico rastreável e processo controlado. A regra abrange dados, documentos e relatórios, inclusive informações compartilhadas no Open Finance, e prevê avaliação por 12 dimensões como precisão, completude, consistência e rastreabilidade. A norma muda o tratamento do dado no mercado: de tarefa operacional de áreas de tecnologia para obrigação formal de governança. As instituições precisarão de política aprovada pela alta administração, responsáveis designados, controles documentados e trilha de auditoria sobre o ciclo de vida da informação. O BC já negou pedidos de adiamento, e o descumprimento pode levar a rejeição de reportes, correção obrigatória, plano de ação monitorado e, em casos graves, processo administrativo sancionador com base na Lei nº 13.506/2017. Especialistas ouvidos pelo Finsiders Brasil apontam que o maior desafio não é redigir a política, mas operacionalizá-la. Muitas instituições ainda tratam dados de forma reativa, corrigindo erros apenas depois de identificados. A necessidade de comprovar origem, histórico e consistência entre sistemas exige governança madura e integração de bases desconectadas. O impacto tende a ser maior em fintechs de crescimento acelerado e instituições de pagamento com arquitetura voltada a escalar receita, além de bancos com sistemas legados. A regra brasileira se aproxima dos princípios do BCBS 239, do Comitê de Basileia, mas com abrangência maior: inclui todo o espectro de instituições autorizadas, e não apenas bancos de porte sistêmico. Especialistas criticam a ausência de um período de testes ou projeto-piloto, comum em outros países, o que pode gerar atritos entre instituições e supervisor nos primeiros meses de vigência. A automação e a Inteligência Artificial são citadas como ferramentas para identificar inconsistências em escala, mas só funcionam se houver processo estruturado por trás. A Resolução Conjunta nº 18 é vista como resposta ao crescimento do volume de dados gerados por Pix, Open Finance e pela expansão de fintechs autorizadas. A supervisão do BC depende de informações enviadas por bases como o SCR e documentos periódicos; dados inconsistentes distorcem a supervisão. A adequação também é associada à prevenção de casos como o Banco Master, que envolveu informações falsas de carteiras de empréstimos. Para o mercado, a medida reduz assimetrias e fortalece a confiança no sistema, embora exija investimento em tecnologia e mudança cultural nas instituições.
FONTE ORIGINAL:
https://finsidersbrasil.com.br/noticias-sobre-fintechs/bancos-e-fintechs-correm-contra-o-tempo-para-atender-exigencia-de-dados-do-bc
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