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Receio de calote e dificuldade de comprovar renda travam Move Brasil

Publicado em: 03/08/2026 04:30
Receio de calote e dificuldade de comprovar renda travam Move Brasil
Pouco mais de um mês após o lançamento do Move Brasil, a linha de financiamento de automóveis para taxistas e motoristas de aplicativos registrou demanda de R$ 2,2 bilhões, cerca de 7,3% dos R$ 30 bilhões reservados pelo governo. Os principais entraves apontados são inadimplência, elevado endividamento, dificuldade de comprovação de renda de trabalhadores autônomos e demora na liberação dos veículos. Levantamento da Fenasmapp com 1.551 respostas indica que 46,1% dos motoristas relatam análise do pedido como financiamento tradicional, sem considerar o fundo garantidor da operação; 23,5% citam falhas de integração com o BNDES; 19,5% mencionam exigência de entrada alta; 7% apontam critérios internos dos bancos; e 2,8% relatam problemas com histórico bancário. Segundo a federação, muitos motoristas com capacidade de pagamento seguem negativados. O cenário ocorre com a taxa média de inadimplência do crédito no país em 4,7%, maior patamar da série histórica do Banco Central. Para o professor da FGV Antônio Jorge Martins, os bancos adotam critérios mais rigorosos quando o nível de endividamento aumenta, mesmo com fundo garantidor e alienação fiduciária. Grandes instituições privadas, como Itaú e Bradesco, decidiram não aderir ao programa; entre os motivos citados estão a dificuldade de retomada do veículo em caso de calote e a rápida desvalorização do bem, usado como instrumento de trabalho. O governo busca destravar a linha com bancos públicos. Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil firmaram parcerias com plataformas de mobilidade, passaram a aceitar extratos de corridas como comprovante de renda e oferecem cashback. O BNDES afirma que o sistema de repasse está operando e atribui eventuais atrasos à necessidade de adaptação tecnológica das instituições financeiras. O presidente do banco recomenda que motoristas com pendências busquem o Desenrola para regularizar a situação antes de novo crédito. Em concessionárias, menos de 10% das propostas enviadas para análise foram aprovadas. Entre os aprovados, há relatos de demora na liberação dos recursos e na entrega dos carros, por divergências internas entre BNDES e bancos repassadores. Instituições como Banco Stellantis e GM Financial afirmam que as operações seguem regras de elegibilidade e políticas de crédito próprias, e que a garantia do FGI-PEAC não substitui a análise de crédito.
FONTE ORIGINAL:
https://oglobo.globo.com/economia/negocios/noticia/2026/08/03/receio-de-calote-e-dificuldade-de-comprovar-renda-travam-move-brasil.ghtml
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