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Recorde de recuperações judiciais abre nova fronteira para o mercado de NPL no Brasil
Publicado em: 04/08/2026 16:19
O avanço das recuperações judiciais e da inadimplência corporativa no Brasil amplia o mercado de créditos não performados (NPL). Com balanços pressionados, bancos, fintechs, varejistas e fundos devem acelerar a venda de carteiras vencidas, consolidando os créditos não performados como classe de ativos. Dados da Serasa Experian apontam que 2025 fechou com 2.466 CNPJs em recuperação judicial, alta de 13% ante o ano anterior e maior patamar da série histórica. Em janeiro de 2026, havia 8,7 milhões de empresas negativadas, com dívida média superior a R$ 23 mil e cerca de sete restrições por CNPJ. Estudo da Deloitte sobre o ciclo 2025/2026 projeta crescimento de 73% no volume de créditos não performados cedidos ao mercado, de R$ 30,2 bilhões para R$ 52,3 bilhões. A oferta maior, no entanto, tende a vir acompanhada de descontos mais elevados, já que compradores exigem prêmio maior para assumir risco jurídico, baixa recuperação e demora na cobrança. O movimento amplia a base de cedentes, historicamente concentrada nos grandes bancos, e atrai compradores especializados. Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) aparecem como veículos naturais para absorver carteiras estressadas, com estrutura que permite segmentar riscos e alinhar remuneração à performance de recuperação. A precificação dessas carteiras depende cada vez mais da qualidade da informação disponível. Documentação menos padronizada, garantias heterogêneas, histórico de cobrança fragmentado e dependência de dados comportamentais aumentam a complexidade das operações. Tecnologia, capacidade jurídica e operação de cobrança eficiente devem diferenciar os compradores especializados. No campo regulatório, o ajuste do Anexo II da Resolução 175 da CVM, editado em 6 de março e já em vigor, amplia a previsibilidade para cessão de direitos creditórios por empresas em recuperação judicial ou extrajudicial, reforçando a segurança jurídica das transações. Governança, compliance, rastreabilidade e qualidade dos processos de cobrança ganham peso diante do maior escrutínio regulatório e reputacional.
FONTE ORIGINAL:
https://monitormercantil.com.br/recorde-de-recuperacoes-judiciais-abre-nova-fronteira-para-o-mercado-de-npl-no-brasil
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