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Brasil enfrenta uma combinação perigosa de dívida crescente e juros elevados, alerta Moody’s
Publicado em: 04/08/2026 09:00
A Moody's Ratings manteve a classificação de crédito do Brasil em Ba1, com perspectiva estável, um nível abaixo do grau de investimento. Em apresentação durante o Inside LatAm Brasil 2026, a agência destacou que a economia grande e diversificada, as reservas internacionais e a solidez do sistema bancário sustentam a nota, mas apontou uma combinação perigosa de dívida crescente, juros elevados e baixo espaço fiscal. O diagnóstico incluiu comparativos com a mediana dos países Ba1. O PIB nominal brasileiro foi de aproximadamente US$ 2,28 trilhões em 2025, e o PIB per capita por paridade de compra ficou em US$ 23.381. A Moody's projeta crescimento médio real de 2,7% entre 2021 e 2030, abaixo da mediana de 3,8%. A dívida pública é 95% denominada em moeda local, o que reduz a exposição cambial, e as reservas internacionais são elevadas. O ponto crítico é o custo dos juros. Segundo a Moody's, os pagamentos de juros consumiram 19,5% das receitas do governo em 2025, ante 16,1% da mediana Ba1, e corresponderam a 7,7% do PIB, contra 2,6% da mediana. O déficit fiscal geral deve ficar em média 7,9% do PIB entre 2025 e 2027, acima dos 3,8% dos pares. Cerca de 50% da dívida está atrelada a taxas flutuantes ligadas à Selic, ampliando a sensibilidade à política monetária. Dados do Banco Central citados na reportagem mostram dívida bruta de 81,1% do PIB em maio de 2026, juros nominais de R$ 1,11 trilhão em 12 meses e déficit nominal de R$ 1,26 trilhão. A rigidez orçamentária também limita a ação do próximo governo. A Moody's estima que mais de 95% do Orçamento seja composto por gastos obrigatórios ou quase obrigatórios, como programas sociais, aposentadorias e vinculações. Em 2024, subsídios e transferências representaram cerca de 67% do total. As emendas parlamentares subiram de 2% das despesas discricionárias em 2015 para 24%. A agência condiciona uma possível elevação do rating a reformas que ampliem a flexibilidade fiscal; o rebaixamento pode ocorrer se houver abandono da consolidação fiscal ou perda de confiança dos investidores. No campo monetário, o Copom reduziu a Selic para 14,25% ao ano em junho, mas manteve postura cautelosa. A ata da reunião citou que a perda de disciplina fiscal e o aumento do crédito direcionado podem elevar a taxa neutra de juros. O relatório Focus de 24 de julho projetava Selic de 14% em 2026, 12% em 2027 e 10,5% em 2028, com inflação acima da meta de 3% até 2028. A Moody's também mencionou o potencial do Brasil em minerais críticos e infraestrutura digital, condicionado a investimentos, licenciamento e segurança regulatória.
FONTE ORIGINAL:
https://br.tradingview.com/news/cointelegraph:914fbed9fbc81:0
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