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Juros elevados ampliam risco de refinanciamento no Brasil

Publicado em: 05/08/2026 17:24
Juros elevados ampliam risco de refinanciamento no Brasil
A Moody's alertou que o risco de refinanciamento das empresas brasileiras deve permanecer elevado até 2027. A Selic está em 14,25% ao ano, a maior taxa básica entre as principais economias do mundo. O Banco Central já cortou a taxa três vezes desde fevereiro de 2026, partindo de um pico de 15%, mas a agência projeta queda lenta: 14% no fim de 2026 e 12% ao final de 2027. O ambiente macro combina atividade aquecida e desemprego baixo, sustentados por gastos fiscais e forte concessão de crédito de bancos estatais. Ao mesmo tempo, o conflito entre Estados Unidos e Irã pressiona os preços de energia e a inflação global, ampliando necessidades de captação. Esse conjunto mantém expectativas de juros altos por mais tempo e eleva o custo da dívida em meio a um estreitamento do acesso das empresas ao crédito externo. Cerca de um terço da dívida corporativa brasileira com rating é de taxa flutuante, com exposição concentrada em varejo, combustíveis, proteína e agricultura, locação de veículos, transporte, açúcar e etanol. A Moody's relaciona problemas de governança e liquidez ao uso de dívida de curto prazo para financiar aquisições e investimentos, sem colchões como linhas compromissadas ou caixa suficiente. Entre janeiro e julho, foram 12 ações de rating negativas sobre empresas não reguladas, e cerca de 14% da carteira avaliada está com perspectiva negativa ou em revisão para rebaixamento. Casos recentes ilustram o estresse: a Raízen reestruturou a estrutura de capital; a Cosan tinha cerca de R$ 28 bilhões em dívida flutuante em fevereiro e foi rebaixada junto com a Rumo em julho; a CSN busca levantar R$ 15 bilhões a R$ 18 bilhões com vendas de participações; a Amaggi teve perspectiva alterada para negativa após aquisição financiada por dívida; a OHI foi rebaixada por fraca geração de caixa; e a Braskem firmou acordo de suspensão com credores, equivalente a um default. O mercado de capitais está mais seletivo: o indicador de condições financeiras da Moody's para o Brasil ficou em -0,49 em julho, ainda distante das médias de 2024. A emissão corporativa caiu para 125 operações em junho de 2026, ante 167 um ano antes, e o pipeline concentra empresas de primeira linha ou ligadas ao rating soberano. As demais companhias têm recorrido a crédito bancário doméstico e estruturas lastreadas em recebíveis. Com vencimentos relevantes até 2028 para CSN, Natura, Movida, Rumo, Amaggi, Eldorado, J&F, Iochpe-Maxion e BRF, a estratégia é usar empréstimos bilaterais e linhas locais para evitar que o risco de refinanciamento se converta em inadimplência.
FONTE ORIGINAL:
https://www.capitalaberto.com.br/economia-e-financas/2026/08/juros-elevados-ampliam-risco-de-refinanciamento-no-brasil
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