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Bancos veem piora do crédito e sinalizam aperto nos empréstimos diante da alta dos calotes
Publicado em: 06/08/2026 23:00
Os principais bancos privados do país sinalizam um aperto na oferta de crédito para o restante de 2026, diante da alta dos calotes, de juros elevados e do comprometimento da renda das famílias. Em teleconferências com analistas, executivos do Itaú Unibanco e do Bradesco afirmaram que o ciclo de crédito será desafiador e que a prioridade será evitar aumento da inadimplência, mesmo que isso signifique abrir mão de crescimento. Os balanços do segundo trimestre mostram que Itaú Unibanco, Bradesco e Santander elevaram em 12,4% as reservas para perdas com calotes, somando R$ 28,7 bilhões, na comparação com o mesmo período de 2025. As provisões cresceram mais do que a carteira de crédito, que avançou 9,4%, para R$ 3,37 trilhões. A inadimplência geral do sistema financeiro atingiu 4,74% em maio de 2026, o maior nível da série histórica do Banco Central iniciada em 2011. Em junho, após o início do Desenrola 2.0, o indicador caiu para 4,68%, ainda acima da média histórica de 3,29%. O endividamento das famílias em relação à renda chegou a 49,93% em janeiro, o maior valor da série iniciada em 2005, e permaneceu próximo desse nível até maio. Com a Selic em 14% e expectativa de redução limitada a 13,75%, a percepção de risco fiscal eleva o custo do crédito e reforça a postura cautelosa das instituições. Os bancos têm concentrado a oferta em modalidades com garantia, como crédito consignado CLT, financiamento imobiliário e de veículos, além de linhas com garantia do governo via FGI e FGO. No Bradesco, a fatia de créditos com garantia passou de 58,5% para 61% da carteira. Entre os três bancos, o Santander teve o pior balanço do trimestre, com lucro abaixo do esperado por causa do maior gasto com provisões. O Itaú revisou para baixo a projeção de crescimento da receita com serviços e seguros em 2026, de 5% a 9% para 2% a 5%. O Bradesco manteve a meta de expansão da carteira entre 8,5% e 10,5%, mas analistas do Citi apontam que o custo de crédito dos clientes subiu para 5,9%, ante 5,5% no início do ano.
FONTE ORIGINAL:
https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2026/08/bancos-veem-piora-do-credito-e-sinalizam-aperto-nos-emprestimos-diante-da-alta-dos-calotes.shtml
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