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Efeito rebote do endividamento recorde pode levar à ressaca da economia em 2027
Publicado em: 08/08/2026 18:35
O nível recorde do endividamento das famílias brasileiras pode levar a uma perda significativa do ritmo de consumo em 2027, em um efeito rebote que, para economistas, embute risco de desaceleração mais forte que a esperada da atividade econômica. O cenário é considerado particularmente arriscado porque muitos brasileiros estão endividados em linhas de crédito caras, o que tende a intensificar a ressaca após períodos de expansão acelerada do crédito. Análises do BTG Pactual e do FGV Ibre citam um estudo do Banco Central de 2020 que mostra que, quando as famílias se endividam em excesso, há queda acentuada do consumo no futuro. Modalidades com taxas mais altas, como cartão parcelado, rotativo, cheque especial e crédito pessoal sem consignação, já representam quase 25% da carteira de pessoas físicas, contra 20% no período pré-pandemia. Dados do FGV Ibre indicam que 39,3% das contratações do cartão rotativo em outubro do ano passado se concentravam em quem ganha até dois salários mínimos. O endividamento em relação à renda está em 49,8%, e o valor médio da dívida inadimplida do Serasa atingiu R$ 6.300, quase o dobro do rendimento real médio divulgado pelo IBGE. A pesquisadora Katherine Hennings avalia que a situação financeira das famílias hoje é pior do que a que precedeu a crise de 2014 a 2016. O BTG Pactual estima que o avanço do consumo deve cair de uma alta de 2% em 2026 para 0,8% em 2027, com possibilidade de queda de 0,4% se a expansão da renda estagnar. As projeções do Boletim Focus para o PIB de 2027 vêm sendo revisadas para baixo, de 1,80% no início do ano para 1,69% no levantamento mais recente. Medidas para estimular crédito e renda somavam R$ 189 bilhões até o primeiro semestre, incluindo R$ 22,9 bilhões do novo consignado privado. A secretária de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Débora Freire, rejeita comparação com a crise dos anos 2010, afirma que os juros estão em queda e cita o programa Desenrola para repactuação de dívidas. Em contraponto, Katherine Hennings diz que o Desenrola permite que famílias saiam dos birôs de crédito e voltem a consumir, o que não parece sustentável. O economista Marcos Lisboa também vê risco de recessão nos próximos anos, citando problemas fiscais e baixa poupança das famílias.
FONTE ORIGINAL:
https://valor.globo.com/google/amp/financas/noticia/2026/08/08/efeito-rebote-do-endividamento-recorde-pode-levar-a-ressaca-da-economia-em-2027.ghtml
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