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Endividamento recorde comprime renda e limita consumo das famílias brasileiras

Publicado em: 09/08/2026 23:22
Endividamento recorde comprime renda e limita consumo das famílias brasileiras
Em julho, o endividamento das famílias brasileiras atingiu novo recorde: 82% tinham algum compromisso financeiro a vencer, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Foi o sexto recorde consecutivo, ante 81,6% em junho e 78,5% um ano antes. O comprometimento da renda também avançou. Entre os endividados, 29,5% da renda mensal média está destinada ao pagamento de dívidas. A parcela com mais da metade dos rendimentos comprometida chegou a 19% em julho, maior nível desde março. Isso reduz o espaço para novas compras e ajuda a explicar por que a melhora de renda e emprego não se converte, na mesma intensidade, em expansão do consumo. O crédito segue caro. Embora o Banco Central tenha iniciado a redução da Selic, que chegou a 14% ao ano, a transmissão para empréstimos, financiamentos e renegociações é gradual. Para o economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, a redução dos juros contribui para diminuir o custo de novas operações e viabilizar renegociações, mas a recuperação da capacidade de consumo das famílias será gradual. A inadimplência está concentrada na baixa renda. Entre famílias com até três salários mínimos, 84,9% estavam endividadas em julho, maior percentual entre as faixas pesquisadas. A proporção com contas atrasadas subiu de 38,3% para 38,5% no mês, a única faixa com alta. Entre quem recebe mais de dez salários mínimos, caiu de 15,4% para 15,1%. A parcela que reconhece não ter condições de pagar as pendências avançou de 17,6% para 17,8% nesse grupo, ante 12,3% na média geral. No agregado, a inadimplência geral recuou de 29,9% para 29,8% em julho, e o tempo médio de atraso caiu pelo terceiro mês consecutivo, para 64,6 dias. O movimento ocorre em meio ao Desenrola 2.0, nos primeiros 90 dias do programa de renegociação iniciado em maio. Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, os recordes consecutivos têm impactos de curto e médio prazo no comércio, e são necessárias medidas que aliviem o orçamento do trabalhador.
FONTE ORIGINAL:
https://brazileconomy.com.br/economia/2026/08/endividamento-recorde-comprime-renda-e-limita-consumo-das-familias-brasileiras
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