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Endividamento alcança 85% da baixa renda
Publicado em: 09/08/2026 15:46
O endividamento das famílias de baixa renda no Brasil alcançou 84,9% em julho, segundo recorte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O indicador para a faixa de renda mensal de até três salários mínimos (R$ 4.863) é o maior da série histórica iniciada em maio de 2023 e o quarto recorde consecutivo. O percentual superou a média geral de endividamento de todas as faixas de renda, que também atingiu recorde (82%). A inadimplência entre as famílias de baixa renda piorou de junho para julho. A parcela com débitos em atraso passou de 38,3% para 38,5%, e a proporção das que admitiram não ter condições de quitar as dívidas subiu de 17,6% para 17,8%. O comprometimento da renda mensal com dívidas avançou de 30,4% para 30,6%. Segundo o economista-chefe da CNC, Fábio Bentes, muitas famílias de baixa renda ainda usam crédito para pagar contas do mês, como um "puxadinho do orçamento". Ele atribuiu parte do quadro à bancarização expressiva no pós-pandemia, que ampliou o acesso ao crédito. Bentes também afirmou que a renegociação de dívidas do Desenrola 2.0 não impede a tomada de novos créditos, e que a dívida renegociada continua contabilizando a família como endividada na pesquisa. Na comparação com maio, mês de lançamento do programa, os indicadores de inadimplência da baixa renda mostraram melhora. A Fundação Getulio Vargas (FGV) também sinalizou piora nas finanças da população de menor renda. O Indicador de Estresse Financeiro para famílias com renda até R$ 2.100 subiu de 25,6 para 26,8 pontos de junho para julho, o maior nível desde março de 2026. Para o mesmo grupo, o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) caiu 10,5 pontos, para 79,8 pontos, influenciado por endividamento elevado, inadimplência e juros, segundo a economista Anna Carolina Gouveia. Especialistas citados apontam que o custo alto do crédito emergencial, concentrado em cartão de crédito e cheque especial, tende a se tornar uma "bola de neve" para a baixa renda. Como medidas para reduzir o problema, foram mencionadas a portabilidade de crédito, o fortalecimento da educação financeira e a redução da taxa básica de juros. O CEO da ABBC, Leandro Vilain, afirmou que taxas altas aumentam a inadimplência e geram mais perdas para os bancos.
FONTE ORIGINAL:
https://valor.globo.com/google/amp/brasil/noticia/2026/08/09/endividamento-alcana-85-pontos-percentuais-da-baixa-renda.ghtml
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