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Endividamento das famílias vira nó para a economia. Desenrola para adimplentes ainda deve enfrentar resistência
Publicado em: 10/08/2026 11:33
O endividamento das famílias brasileiras se tornou um nó para a economia. Com juros básicos e bancários elevados, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic/CNC) mostra que 82% das famílias estão endividadas; entre as que ganham até três salários mínimos (R$ 4.863), o índice atinge 84,9%, o maior da série iniciada em 2023. Nesse contexto, o programa Desenrola para adimplentes, voltado a trabalhadores informais com dívidas de até R$ 15 mil e atrasos inferiores a 90 dias, começa a operar, mas enfrenta resistência dos bancos. Até agora, a adesão é baixa. O governo alterou as regras para permitir que qualquer banco participe com recursos próprios combinados ao funding de até R$ 3 bilhões, antes restrito à Caixa e ao Banco do Brasil. Analistas avaliam que a mudança ajuda, mas não resolve a baixa adesão. No programa original para inadimplentes, os bancos tinham incentivo de limpar os balanços; no novo, não há benefício imediato. Uma estratégia potencialmente mais efetiva seria a entrada mais forte dos bancos públicos, que poderiam pressionar a concorrência. As operações do Desenrola têm taxa limitada a 1,99% ao mês, contra uma média de 7% do mercado. Especialistas apontam que o barateamento do crédito via programas específicos pode reduzir a força da política monetária. Há ainda questionamentos sobre o risco de uso eleitoral, embora se reconheça a necessidade de mecanismos de negociação entre bancos e devedores. O programa não elimina dívidas, mas substitui dívidas caras por mais baratas. A alternativa microeconômica é considerada limitada, mas necessária para famílias que enfrentam dificuldades de pagamento.
FONTE ORIGINAL:
https://oglobo.globo.com/blogs/miriam-leitao/post/2026/08/entre-o-alivio-as-familias-e-a-politica-monetaria-o-dilema-do-desenrola.ghtml
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