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Executivos de bancões brasileiros não veem fim para inadimplência recorde em 2026

Publicado em: 11/08/2026 08:24
Executivos de bancões brasileiros não veem fim para inadimplência recorde em 2026
Executivos de grandes bancos brasileiros afirmam que a qualidade do crédito no país dificilmente melhorará nos próximos meses, sem previsão para o fim das taxas de juros historicamente altas. A expectativa é de queda mais lenta do que a prevista no início do ano, pressionada pela alta do petróleo devido à guerra no Irã e pela postura mais cautelosa do Banco Central, que reduziu a taxa básica de juros em 25 pontos-base na semana passada sem sinalizar novos ajustes. Dados do Banco Central mostram que a inadimplência no crédito ao consumidor atingiu 5,6% em maio e permaneceu nesse patamar em junho, nível recorde e superior ao observado na recessão de 2015-2016 e na pandemia. O analista do Citigroup Gustavo Schroden avalia que os números não devem melhorar no restante do ano e podem piorar em 2027, citando excesso de liquidez e crédito subsidiado como fatores que amenizam um problema maior. Na temporada de balanços do segundo trimestre, o Santander Brasil reportou queda nos lucros e mudou o tom em suas teleconferências, de otimismo cauteloso para pessimismo, segundo análise por inteligência artificial das últimas cinco teleconferências. O CFO Carlos Muñiz afirmou que as margens ajustadas ao risco dificilmente melhorarão antes do início de 2027. Itaú e Bradesco mostraram otimismo com seus próprios esforços de redução de risco, mas cautela com a economia; o Itaú viu leve deterioração da inadimplência, protegido por clientes de maior renda, enquanto o Bradesco reduziu o crescimento de cartões de crédito para clientes de baixa renda. O endividamento das famílias consome cerca de um terço da renda mensal, perto do recorde, e os bancos apontam excesso de crédito e clientes extremamente endividados. O governo lançou em maio um novo programa de renegociação de dívidas, no qual os bancos oferecem descontos e o governo atua como fiador, mas o impacto tem sido considerado baixo pelos bancos. O UBS BB estima em 9,8% a inadimplência de 90 dias ou mais para créditos renegociados, ante 3% na edição de 2023. Especialistas apontam que a iniciativa não resolve os fatores estruturais do endividamento; para Schroden, o crédito ao consumidor tornou-se um complemento de renda. Os bancos privados também resistem à renegociação para trabalhadores informais por dificuldade em comprovar renda.
FONTE ORIGINAL:
https://www.infomoney.com.br/mercados/executivos-de-bancoes-brasileiros-nao-veem-fim-para-inadimplencia-recorde-em-2026
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