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Falhas de gestão ampliam pressão sobre crédito para o produtor rural
Publicado em: 13/08/2026 09:09
Bancos apontam que a precariedade das informações e a baixa interlocução entre produtores rurais e financiadores agravam as dificuldades financeiras no campo e ampliam a pressão sobre o crédito. Em painel sobre o mercado de crédito rural, executivos do Santander e do Itaú BBA afirmaram que, além dos juros elevados, problemas de gestão e de comunicação têm contribuído para o aperto no setor. Pedro Fernandes, diretor de agronegócio do Itaú BBA, defendeu que a organização de dados financeiros e operacionais seja prioridade para o produtor rural. Segundo ele, apresentar informações estruturadas é importante para a avaliação de risco pelos bancos e para a negociação de dívidas. Fernandes também afirmou que a falta de informações impacta a precificação, pois o risco estimado de perda é incorporado às taxas, fazendo com que os produtores adimplentes arquem indiretamente com parte do custo da inadimplência. João Andrade, do Santander, avaliou que o problema do agronegócio é estrutural e que o banco tem trabalhado na reestruturação de dívidas e na negociação direta com produtores, em vez de aguardar a recuperação judicial. Ele destacou que a comunicação entre credores e devedores é um ponto crítico, especialmente quando a negociação é intermediada por advogados. Segundo Fernandes, 20% dos problemas de inadimplência do Itaú BBA estão ligados a recuperações judiciais, enquanto 80% envolvem devedores que não respondem ou não mantêm negociação. Os executivos criticaram a recuperação judicial como solução para as dificuldades financeiras, afirmando que o mecanismo não trata as causas da crise, pode elevar o custo do crédito e deixar o produtor mais frágil. Fernandes disse que a negociação estruturada permite discutir a devolução de áreas arrendadas, máquinas e outros ativos, e que a recuperação judicial deve perder espaço se as regras forem aplicadas corretamente. Júlio Laure, da Agromatic, abordou o papel das garantias. Segundo ele, créditos com alienação fiduciária podem não se submeter aos efeitos da recuperação judicial, permitindo a execução da garantia fora do processo. Ele citou 517 recuperações judiciais de produtores rurais no primeiro trimestre e afirmou que garantias efetivas reduzem a perda esperada, o que pode baratear o crédito. Também mencionou discussões sobre bens essenciais e a possibilidade de prorrogação da suspensão das cobranças. Para os participantes do painel, a combinação entre garantias, organização financeira e capacidade de negociação é central para definir as condições de acesso do produtor rural ao crédito.
FONTE ORIGINAL:
https://www.cnnbrasil.com.br/agro/falhas-de-gestao-ampliam-pressao-sobre-credito-para-o-produtor-rural
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