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Foco em garantias e cautela com baixa renda: grandes bancos brasileiros redobram estratégia defensiva
Publicado em: 14/08/2026 12:05
Os grandes bancos brasileiros — Itaú, Bradesco, Santander Brasil e Banco do Brasil — adotaram postura mais cautelosa na concessão de crédito, com foco em produtos com garantia e clientes de maior renda. Os balanços do segundo trimestre indicam redução da exposição a tomadores mais arriscados e ao crédito sem garantia, em meio a sinais de deterioração das finanças das famílias, apesar de um mercado de trabalho ainda forte e de uma economia que supera expectativas. O presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho, afirmou que o volume de crédito distribuído está acima da capacidade de absorção do mercado e que o comprometimento de renda das famílias atingiu níveis excessivamente altos. No Bradesco, o presidente Marcelo Noronha disse que o apetite para clientes de menor renda é muito menor do que no passado e que a carteira está mais respaldada por garantias. O Santander Brasil reduziu exposição a tomadores com renda inferior a R$ 4 mil, priorizando operações com garantia acima dessa faixa. O Banco do Brasil, por sua vez, incluiu entre suas prioridades estratégicas aumentar em 25% o número de clientes de "alto valor" até 2030. O vice-presidente de Finanças da instituição, Geovanne Tobias, afirmou que a inadimplência entre pessoas físicas deve cair em 2027, com crescimento concentrado no consignado público e privado. Especialistas citados na reportagem apontam que a postura defensiva reflete preocupação com possível desaceleração após período de expansão sustentado por maior alavancagem das famílias. O comprometimento de renda gira em torno de 50% da renda disponível, mesmo com desemprego baixo e renda em alta. Fatores estruturais, como mudanças regulatórias, expansão das fintechs e adoção de meios digitais de pagamento, ampliaram o acesso ao crédito; políticas de estímulo ao consumo e ao crédito também contribuíram para elevar o endividamento, muitas vezes por modalidades sem garantia e de custo elevado. No Nubank, os empréstimos com atraso superior a 90 dias subiram para 6,9% no segundo trimestre, ante 6,5% no trimestre anterior e no mesmo período do ano anterior. A instituição, porém, registrou lucro acima do esperado e afirmou não ver deterioração disseminada dos consumidores, apesar do ambiente macroeconômico mais cauteloso.
FONTE ORIGINAL:
https://www.portaldoholanda.com.br/economia/foco-em-garantias-e-cautela-com-baixa-renda-grandes-bancos-brasileiros-redobram-estrategia-defensiva
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