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Endividamento das famílias de baixa renda bate recorde: por que o Desenrola não resolve?
Publicado em: 14/08/2026 06:00
Segundo a Peic, da CNC, 82% das famílias brasileiras tinham dívidas em julho, ante 81,6% em junho. Entre famílias com renda de até três salários mínimos, o endividamento chegou a 84,9%; 38,5% estavam com contas em atraso e 17,8% afirmaram não ter condições de quitá-las. A inadimplência nacional, porém, recuou para 29,8% no mesmo mês. A pesquisa aponta o cartão de crédito como principal modalidade de dívida, seguido por carnês de loja e crédito pessoal. Em janeiro de 2026, as dívidas comprometiam 38,9% da renda das famílias de até três salários mínimos, contra 14,9% das que recebiam mais de dez salários. Especialistas citam inflação e juros como fatores: o crédito passa a cobrir despesas correntes e o rotativo do cartão, com juros anuais acima de 400%, agrava o saldo devedor. O Novo Desenrola Brasil, lançado em maio de 2026, permite renegociar dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal para renda de até cinco salários mínimos, com descontos de até 90%, juros de até 1,99% ao mês e prazo de até 48 meses. Na Caixa, o programa alcançou R$ 5,5 bilhões em renegociações até junho, envolvendo 172 mil contratos. Especialistas avaliam que a renegociação ataca o sintoma, não a causa. O economista Patrick Santos afirma que programas como o Desenrola funcionam como um alívio de liquidez e que o risco de reendividamento permanece se a renda não cobrir o custo de vida. O advogado Vanderlei Garcia compara a medida a um reset temporário: limpa o nome, mas não altera a estrutura financeira que levou ao endividamento. Há ainda o risco de a renegociação ser seguida de novo crédito disponível sem mudança na capacidade de pagamento. Entre as medidas citadas para interromper o ciclo estão educação financeira prática, ampliação do emprego formal, fiscalização da Lei do Superendividamento, revisão da concessão de crédito após renegociação e alternativas de crédito mais barato, como consignado responsável, além de proteção social para imprevistos.
FONTE ORIGINAL:
https://ndmais.com.br/economia/endividamento-das-familias-de-baixa-renda-desenrola
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