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Varejo registra segunda alta consecutiva em julho, mas ‘ainda é cedo’ para falar em melhora, diz Stone
Publicado em: 16/08/2026 13:42
O Índice do Varejo Stone (IVS) registrou alta de 0,9% em julho ante junho, a segunda elevação consecutiva na margem. Apesar do resultado positivo, o economista Guilherme Dias, pesquisador da Stone, avalia que ainda é cedo para afirmar que o cenário econômico está menos nebuloso, citando a persistência de desafios estruturais. Os dados de julho mostram trajetórias distintas entre setores. Quatro dos oito segmentos analisados tiveram alta, com destaque para os ligados à renda: artigos farmacêuticos (+2,5%), combustíveis e lubrificantes (+2,1%) e hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (+1,6%). Material de construção, apesar de ser mais dependente de crédito, subiu 1%. Em contrapartida, quatro segmentos caíram no período: tecidos, vestuário e calçados (-4,1%), móveis e eletrodomésticos (-2,2%), livros, jornais, revistas e papelaria (-1,1%) e outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,6%). Essa divisão reflete a dicotomia entre o consumo sustentado pela renda e aquele limitado pelo crédito caro. Dias explica que os setores sensíveis à renda crescem mais, enquanto os que dependem de crédito ainda caem, pois sentem mais os juros. Ele descreve o varejo como vivendo entre um 'colchão' de renda em alta e um 'teto baixo' de juros reais altos, inadimplência e endividamento elevados, que afetam a compra de produtos mais caros e parcelados. Na comparação anual, o IVS avançou 4,7% em julho ante o mesmo mês de 2025, mas houve perda de força em relação a junho, quando a alta anual foi de 5,4%. O economista não descarta um agosto negativo, pois a renda e o mercado de trabalho são os principais sustentáculos das altas recentes. A redução acumulada de 1 ponto percentual na taxa Selic, atualmente em 14% ao ano, ainda não se refletiu no barateamento dos financiamentos, devido à defasagem entre a decisão do Copom e os efeitos na economia real. Dias destaca a resiliência do material de construção e a possível antecipação de compras de combustíveis por receio de alta de preços, mas ressalta que uma melhora consistente do varejo depende da queda dos juros reais e dos indicadores de endividamento.
FONTE ORIGINAL:
https://valor.globo.com/google/amp/brasil/noticia/2026/08/16/varejo-registra-segunda-alta-consecutiva-em-julho-mas-ainda-cedo-para-falar-em-melhora-diz-stone.ghtml
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