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O varejo quebrou? O que está por trás das RJs de Casas Bahia e Marabraz
Publicado em: 17/08/2026 17:21
Os pedidos de recuperação judicial (RJ) da Casas Bahia, com dívidas de R$ 17,3 bilhões, e da Marabraz, com passivo de R$ 140 milhões, acenderam alerta no mercado, mas especialistas consultados descartam um colapso generalizado do varejo. A leitura predominante é de crise seletiva, concentrada no varejo de bens duráveis, em um ambiente de juros altos, restrição de crédito, inadimplência recorde e fragilidades de gestão. Dados do IBGE mostram que, em junho de 2026, o volume de vendas do comércio varejista cresceu 2,9% na comparação anual, e a receita nominal avançou 7%. O setor opera em três segmentos: o de giro rápido, como supermercados e farmácias, segue resiliente; o varejo digital ganha participação sem carregar estoques e lojas físicas; e o de bens duráveis concentra o estresse, por depender fortemente de crédito e de estrutura física. A alavancagem atual do setor reflete uma sucessão de ciclos: recessão de 2015-2016, recuperação com Selic baixa entre 2017 e 2019 sem priorizar redução de dívidas, expansão financiada por dinheiro barato em 2020-2021 e, entre 2022 e 2026, Selic elevada, com pico de 15% em junho de 2025 e patamar atual de 14%. Esse cenário pressiona despesas financeiras e reduz a demanda por crédito. No caso da Casas Bahia, a reestruturação financeira feita em 2024 apenas comprou tempo, sem reestruturação operacional na mesma velocidade. A Marabraz enfrenta problemas de governança e disputas societárias que inviabilizaram o refinanciamento. A RJ é usada para evitar a falência e permitir a continuidade das operações, com renegociação supervisionada pela Justiça. Estudo da RGF-BIZDOC aponta alta de 20,4% nos pedidos de RJ do comércio varejista em 12 meses, mas o ritmo desacelera: 6,6% no primeiro semestre e 1,8% no segundo trimestre. Para o consumidor, o estresse das varejistas tende a endurecer critérios de aprovação de crédito, encurtar prazos de parcelamento e reduzir promoções, com impacto desproporcional sobre consumidores de baixa renda que dependem do crediário próprio. Também há efeitos em serviços agregados e na cadeia de suprimentos, com fornecedores reduzindo limites e exigindo pagamento antecipado. Pedidos já pagos devem ser entregues, conforme o Código de Defesa do Consumidor, e a recomendação é guardar comprovantes. Levantamento do Ibevar e da FIA Business School indica que o porte financeiro de uma empresa explica apenas 4,4% da variação do risco reputacional; os outros 95,6% estão associados a eventos específicos, como recuperação judicial, fraudes ou crises mal administradas. A vulnerabilidade reputacional atinge tanto grandes redes quanto empresas regionais de menor porte.
FONTE ORIGINAL:
https://www.infomoney.com.br/economia/crise-varejo-recuperacao-judicial-casas-bahia-marabraz
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